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sábado, 13 de junho de 2026

Professor Mariano: Carnaval e futebol, tudo a ver!

sábado, 13 de junho de 2026

Carnaval e futebol, tudo a ver!
por Professor Mariano

É milenar, é milenar
A invenção do futebol
Fez o artista
Ter um sonho triunfal

Com versos acima, a fenomenal dupla de compositores Betinho e Jorge Canuto poetizaram a utopia futebolística do genial Joãosinho Trinta, no enredo “O Mundo é uma Bola”, que a Beija-Flor levou há 40 anos para o sambódromo.

O ano era 1986 e a Copa do Mundo de futebol masculino seria realizada no México, como neste ano. A única diferença é que agora, o País da Tequila irá compartilhar o evento esportivo com o Canadá e os Estados Unidos.

A Beija-Flor desfilou na passarela do samba no dia 10 de fevereiro, sendo a segunda escola a se apresentar na segunda-feira. Com o Brasil em contagem regressiva para a Copa do Mundo, a Azul e Branco da Baixada Fluminense transformou a pista em um grande templo de celebração esportiva, cultural e histórica.

Joãosinho Trinta, já consagrado como um dos maiores carnavalescos de sua geração, assinava essa obra em parceria com outro espetacular artista do carnaval, o esplendoroso Viriato Ferreira. Falar da Beija-Flor de 1986 é falar da capacidade única de Joãozinho Trinta de contar histórias grandiosas. Ele não fez apenas um desfile sobre futebol, mas traçou a odisseia do esporte desde suas raízes milenares. Nasce daí a inspiração do refrão espetacular do samba feito por Betinho (um dos compositores do samba) na casa do carnavalesco, depois de muita cobrança por um refrão arrebatador. A escola viajou no tempo para mostrar jogos e rituais com bolas praticados por civilizações antigas – como a egípcia, a grega e a romana – até desaguar na explosão popular do futebol moderno no Brasil.

O visual da Deusa da Passarela era impactante, mostrando toda a virtuosidade estética do talentoso Viriato Ferreira. As fantasias eram luxuosas e criativas, os carros alegóricos monumentais desafiavam o sambódromo. O abre-alas era uma bola da Adidas muito bem estilizada, remetendo à Copa daquele ano nos gramados mexicanos. Em cima dela, vinha um garoto representando o genial Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos. Logo após, vinha o primeiro setor da escola, com muito brilho, dourado e azul, lembrando a ancestralidade e evoluindo gradativamente para as cores vibrantes que marcam o folclore e a torcida brasileira. Uma autêntica obra de arte!

Mas o desfile da Beija-Flor de extraordinário foi se transformando em algo épico, isso porque a chuva, que sempre foi uma convidada indesejada para os artistas do carnaval, resolveu marcar presença naquele monumental desfile. A comunidade de Nilópolis não se intimidou, e de certa forma, deixou a chuva participar do seu baile. O estrondoso temporal que caiu sobre o desfile funcionou com um combustível para os nilopolitanos. Os componentes cantaram a pleno pulmões o samba-enredo, imortalizado na voz rascante e potente do majestoso Neguinho da Beija-Flor.

Mesmo debaixo de um aguaceiro de respeito, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Élcio PV e Dóris, bailavam com muita classe, gabaritando as notas na apuração. A bateria dos Mestres Pelé e Bira garantiu o ritmo perfeito, sustentando a empolgação do início ao fim e provando que a Beija-Flor estava blindada de qualquer temporal.

Na quarta-feira de cinzas, a Beija-Flor conquistou o vice-campeonato do Grupo I (atrás apenas da Estação Primeira de Mangueira, com seu clássico “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia tem”). O épico desfile da Beija-Flor, com seus componentes com água até a canela, passou com toda a sua galhardia e coragem, envolvendo as arquibancadas, que, ensopadas, também sambavam como se o mundo fosse acabar naquele cortejo.

Qualquer outra escola que se deparassem com tal adversidade, talvez sucumbisse nas correntezas que tomaram conta da pista. Mas como a Beija-Flor é uma deusa, ela ressurgiu das águas para triunfar perante seu povo e transformou seu vice-campeonato, dado pelos jurados, em um título no panteão dos deuses do carnaval.

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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval,
um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 

Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.

PRIMEIRA MÃO: Bem Amado divulga enredo para 2027

Sábado, 13 de junho de 2027

A Bem Amado, escola de samba da Grota, em São Francisco, integrante da Série Prata do Carnaval de Niterói, já definiu seu enredo para o próximo desfile: “Coisa de Pele – Orgulhosamente Preta!”. O tema é de autoria do carnavalesco Daniel Durval e do diretor artístico Igor Natividade.

Mais do que um manifesto contra o preconceito, o enredo é uma exaltação à ancestralidade. A ideia surgiu após um episódio de racismo vivido por Durval e seu querido parceiro de profissão, o também carnavalesco Tom Barros, falecido há pouco mais de um mês.

É um enredo pensado há muito tempo com o meu irmão Tom Barros. É uma exaltação à raça negra. Certa vez, durante a pandemia, fomos a um supermercado no Fonseca e percebemos que estávamos sendo seguidos por um segurança. Aí veio a pergunta: estavam nos seguindo por sermos dois homens negros? E se fôssemos brancos, seríamos seguidos também? A verdade é que ainda vivemos em um país racista, que tem mais de 53% da sua população negra e uma Padroeira preta. Por que ainda tanto preconceito? Nosso enredo é uma exaltação e um grito de alerta: o negro pode ser e estar onde ele quiser”, destacou Daniel Durval em entrevista à reportagem do Cadência da Bateria.

A Bem Amado será a 4ª escola a desfilar no domingo, 31 de janeiro de 2027, pela Série Prata do Carnaval de Niterói.

Confira a apresentação do enredo Coisa de Pele – Orgulhosamente Preta!

Durante muito tempo tentaram transformar nossa cor em ofensa.
Quantas vezes ouvimos que algo ruim era "coisa de preto"?
Quantas vezes tentaram apagar nossa história, silenciar nossas vozes e diminuir nossas conquistas?
Mas chegou a hora de ressignificar.
Chegou a hora de lembrar ao mundo que "coisa de preto" é a ciência que salva vidas.
É a arte que emociona.
É a cultura que move multidões.
É a literatura que transforma.
É a música que embala gerações.
É o futebol que encanta o planeta.
É a coragem que rompe barreiras.
É a inteligência que constrói o futuro.
Mais da metade do povo brasileiro tem a pele negra, e é impossível contar a história deste país sem falar da nossa contribuição, da nossa ancestralidade, da nossa luta e, principalmente, da nossa grandeza.
Em 2027, o Bem Amado não vai desfilar apenas um enredo.
Vai erguer um manifesto de orgulho.
Vamos celebrar aqueles que abriram caminhos, desafiaram o apagamento e provaram que o talento negro está presente em todos os espaços.
Porque não somos apenas herdeiros da resistência.
Somos herdeiros da excelência.
Grota, levante a cabeça.
Orgulhe-se da sua história.
Orgulhe-se da sua ancestralidade.
Orgulhe-se da sua cor.
Porque o Brasil tem alma negra.
E essa alma vai desfilar na avenida.
É COISA DE PELE.
ORGULHOSAMENTE PRETA.
Daniel Durval (Carnavalesco)
Igor Natividade (diretor artístico)

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

PRIMEIRA MÃO: Zacimba Gaba é o enredo da Garra de Ouro para 2027

Sexta-feira, 05 de junho de 2026


Mantendo a sua tradição de levar para a avenida temas de forte cunho social, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Garra de Ouro busca, mais uma vez, dar voz a personagens apagados da história oficial. 

Para o Carnaval de 2027, a agremiação niteroiense anunciou que defenderá na avenida a história de Zacimba Gaba, princesa guerreira sequestrada da África (Cabinda, Angola).

Trazida para o Brasil, deixou um legado de luta e resistência. Com coragem organizou seu povo tornando-se um exemplo de dignidade e bravura. O enredo resgata a memória dessa liderança silenciada pelo tempo, exaltando a ancestralidade africana, a força da mulher negra e a importância daqueles que lutaram para que a liberdade florescesse.

Responsável pelo desenvolvimento do tema que leva o título Zacimba Gaba, a Força da Correnteza, o carnavalesco Guto Carrilho conversou com a reportagem do Na Cadência da Bateria sobre o peso do enredo e sua conexão com a atualidade:

O nosso enredo fala de empoderamento, coragem e estratégia. Zacimba foi uma líder que não mediu esforços para libertar seu povo e sua raça. É símbolo de força feminina. Neste Brasil que sofre com altos índices de covarde feminicídio, ela mostra que a mulher tem potência pra mudar o próprio destino, basta ter coragem. Vamos à luta! Zacimba é Garra de Ouro!”, destacou o artista.

Em 2027, a Garra de Ouro será a 7ª escola a cruzar a passarela do Caminho Niemeyer na sexta-feira, 29 de janeiro, pela Série Ouro do Carnaval de Niterói.

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Garra de Ouro contrata o carnavalesco Guto Carrilho

Quarta-feira, 3 de junho de 2026


Atual vice-campeã da Série Ouro do Carnaval de Niterói, a Garra de Ouro fechou a contratação do carnavalesco Guto Carrilho. Esta será a primeira vez que o profissional assina um desfile na cidade.

Com a chegada de Carrilho, o Grêmio Recreativo e Cultural Garra de Ouro busca aliar experiência, criatividade e soluções estéticas refinadas aos seus tradicionais enredos. O objetivo principal é fortalecer a identidade da escola e os laços com a comunidade, uma das principais marcas da agremiação, como explicou o presidente Cidiclei da Costa em entrevista à reportagem do Cadência da Bateria.

Procuro sempre criar na escola um ambiente familiar, para que todos se sintam bem defendendo nosso pavilhão vermelho, amarelo e branco de punho cerrado. Trazer o Guto Carrilho é motivo de muita satisfação para mim. Pela experiência que ele tem, quem ganha é a Garra de Ouro. Vamos lá, firmes na guerra e sempre com humildade”, declarou o presidente.

Em declaração à Cadência, o novo carnavalesco destacou o tamanho do desafio e a responsabilidade de assumir a escola niteroiense:

Chego à Garra de Ouro com muita confiança e responsabilidade. É uma escola que carrega um forte compromisso social e, principalmente, a resistência e a valorização das nossas raízes. A Garra de Ouro foca em retratar a grandeza da história e da contribuição do povo negro, que é o alicerce da cultura, da cidadania e da civilidade no mundo. O próprio nome da escola já demonstra peso e compromisso”, afirmou Guto Carrilho.

Bagagem no Carnaval carioca

Cenógrafo, produtor de arte e designer gráfico, Guto acumula uma bagagem de peso no Carnaval carioca. Ele atuou como assistente de carnavalesco no Acadêmicos do Salgueiro entre 2002 e 2010, e integrou o projeto executivo da Beija-Flor de Nilópolis em 2011. Como carnavalesco solo, já assinou os desfiles de agremiações como Coroado de Jacarepaguá, Mocidade Unida da Cidade de Deus, Vizinha Faladeira e Lins Imperial.

Agora na Garra, o artista projeta um desfile focado em dar voz às bandeiras da escola. “Minha expectativa é somar a esse trabalho, defendendo que o negro tenha voz ativa na construção da sociedade e que a nossa cultura continue lutando, sem se deixar calar, para fazer valer tudo o que tem a contribuir”, concluiu.

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