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terça-feira, 14 de abril de 2026

PRIMEIRA MÃO: Unidos da Região Oceânica divulga enredo para 2027 na Cadência

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Unidos da Região Oceânica mais uma vez escolheu a Cadência da Bateria para divulgar seu enredo. Em 2027 a verde e branca praiana vai abordar a "Doce Herança de cura e Fé: Cosme, Damião e Doum", enredo de autoria do presidente da agremiação, Ginho Marinho. “Já participei de elaborações de enredos em algumas agremiações do Rio de Janeiro, e aqui na Oceânica essa será a terceira vez, em 2005 e em 2018 também desenvolvi. O enredo de 2027 foi decidido por mim ainda na avenida, durante o desfile do último carnaval”, revelou Ginho à reportagem da Cadência.

No último carnaval, a Oceânica apresentou uma reedição do clássico É Hoje!, da União da Ilha do Governador. O samba popular favoreceu muito a apresentação da escola, que teve sérias dificuldades, antes e durante o desfile, conforme o próprio presidente reconhece. “Foi uma situação atípica. Trabalho em escolas de samba desde 1996, e pela primeira vez desfilei com chuva... e que chuva! Um carnaval com muitas dificuldades, herança de falhas e dívidas do carnaval anterior e também problemas pessoais que interferiram no desenvolvimento do trabalho na agremiação. Mas o É Hoje! nos ajudou muito, onde destaco a garra dos componentes e o apoio de alguns amigos, principalmente do Ale Freitas que junto a um amigo me ajudaram a finalizar as alegorias”, reconheceu o presidente Ginho.

Para 2027, a Unidos da Região Oceânica quer virar a chave. Com um enredo autoral de forte apelo popular, a escola vai em busca do seu retorno ao Grupo Especial, onde desfilou pela última vez em 2024. “Acredito muito nesse enredo. Não posso falar em título, principalmente em respeito às outras sete grandes agremiações que desfilarão na Série Ouro de Niterói, mas tenham certeza que a Oceânica fará um desfile vibrante e muito emocionante no próximo carnaval”, declarou o presidente.

O enredo será desenvolvido pela Carnavalesca Samyra Oliveira, que retorna esse ano à escola, junto com o presidente Ginho e o vice-presidente João David.

Confira a Sinopse e Justificativa do enredo da Unidos da Região Oceânica para 2027

“Doce Herança de cura e Fé: Cosme, Damião e Doum"

No compasso do tambor e na alegria dos doces distribuídos nas ruas, a Unidos da Região Oceânica, abre alas para celebrar a pureza das crianças sagradas. Hoje o samba conta a história dos irmãos milagrosos São Cosme e Damião e do pequeno Doum, símbolo da alegria e da proteção das crianças.

Vindos da tradição cristã, Cosme e Damião eram médicos que curavam sem cobrar, espalhando caridade e esperança por onde passavam. A fé atravessou oceanos e encontrou no Brasil novos caminhos, misturando-se às crenças africanas e indígenas, transformando-se em festa, devoção e partilha.

Nas religiões afro-brasileiras, os santos gêmeos caminham ao lado dos Ibejis, espíritos infantis que representam a pureza, a alegria e a renovação da vida. Ao lado deles está Doum, o irmão caçula, travesso e iluminado, guardião das crianças e mensageiro da felicidade.

No dia de sua celebração, as ruas se enchem de cores, balas e brinquedos. É a tradição de repartir doces, símbolo da fraternidade e do cuidado com os pequenos. Cada sorriso infantil ecoa como uma bênção.

A Oceânica desfila então um cortejo de fé e alegria: das antigas histórias de cura e solidariedade, passando pelo sincretismo religioso que floresceu no Brasil, até a grande festa popular que transforma devoção em carnaval.

Que os santos meninos abençoem nosso caminho. Que nunca faltem doçura, esperança e união.

Hoje a avenida se transforma em um grande terreiro de alegria, onde crianças, santos e orixás dançam juntos no ritmo do samba.

Nosso enredo começa na Antiguidade (século III), na região da Arábia e Síria, apresentando os gêmeos como médicos "anágeros" (aqueles que não aceitavam dinheiro). Eles curavam enfermos através da ciência e da oração.

Conflito: O martírio sob o imperador Diocleciano, onde enfrentaram torturas e a morte por não renunciarem à fé cristã.

Na travessia do Atlântico e a chegada ao Brasil, acontece o encontro de Mundos (Sincretismo e Ibeji), os santos católicos encontram as divindades iorubás, os Ibejis, filhos de Xangô e Iansã.

A fusão de identidades onde os gêmeos passam a representar a pureza, a alegria e o renascimento.

Figura de Doum, o terceiro irmão da tradição de Umbanda, que simboliza a criança eterna.

E surge a tradição brasileira de setembro, a distribuição de doces.

Saquinhos de papel coloridos, guloseimas e a alegria das crianças nas ruas.

O doce simboliza o remédio para a alma e a promessa como elo entre o sagrado e o cotidiano.

E ainda a celebração da infância como a "cura" para a humanidade.

O amor que cura sem cobrar nada em troca e a esperança de um futuro guiado pela inocência, surgindo a celebração às religiões de matriz africana e ao catolicismo popular que mantêm a tradição viva no Brasil.

Autor
Ginho Marinho

Na Cadência da Bateria
desde 2006 cobrindo os desfiles de Niterói
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