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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Professor Mariano destaca três sambas na disputa da Mangueira

Quarta-feira, 22 de julho de 2026


Pela primeira vez, a Estação Primeira de Mangueira vai ter um orixá como seu enredo. Será a potente Iansã. Assinado pelo carnavalesco Sidney França, a sinopse do enredo pretende retratar a força da Oyá, divindade dos ventos, das tempestades e dos raios, ressaltando sua coragem, independência e energia vital. O enredo também acaba fazendo uma conexão com a própria história da Verde Rosa, uma escola de samba que se forjou a partir da força do seu matriarcado.

A Mangueira foi a primeira escola do Grupo Especial a divulgar na mídia os sambas que concorrem para representar a escola no desfile do carnaval de 2027. São apenas dez sambas, algo peculiar para uma escola do tamanho da Mangueira. No cômputo geral, todos têm um bom nível musical e poético, embora algumas composições tenham problemas na letra, já que contradizem a sinopse do enredo.

Destaco três participantes que mais me chamaram a atenção. O primeiro é o samba da parceria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim, que tem a participação da cantora Daniela Mercury na gravação. O samba abre com um refrão retumbante, que descreve melodicamente a força estrondosa e avassaladora de Iansã.

Oyá Tetê oyá Tetê oyá

Oyá Tetê oyá Mangueira Yabá

Ê Mamãe! Traz de novo teu axé

Relampejou pra vitória... motumbalé.

A letra do samba emprega frases de efeito que ressaltam a ousadia e valentia de Iansã perante o mundo, relacionando-a com a força da mulher no combate ao machismo e ao feminicídio, que permeia a nossa sociedade. 

Iyá mesan Orun...treme-terra

Desce o morro, sobe o rum...

É Guerra bate o oguê que o sangue tem dendê      

Tá pra nascer quem manda nela.

Ela dança no ilê axé, dá caminho

No axexê faz do seu furacão,

Balé, dona do ajerê meu orí, tua

Coragem, liberdade obirín

Porque não existe macho que

Levante a mão pra mim

É que eu sou preta macumbeira e de Oyá

Sou ventania que ninguém pode afrontar

Colo de Ketu, solo do gueto, força de orixá.

O samba aposta numa Iansã intensa e destemida para desfilar na Sapucaí. Essas características fazem o samba chegar muito potente na disputa, pois a letra é fiel à Iansã da sinopse do enredo. Outro fator favorável é que a Mangueira vai encerrar os desfiles de 2027 e a composição tem a energia necessária para deixar a sua marca na passarela. A melodia também proporciona à bateria boas bossas afro-brasileiras. A letra, por ser forte e atrevida como a homenageada, pode facilitar o canto e a performance dos componentes mangueirenses na pista, transformando o desfile da Verde Rosa num caldeirão de dendê fervido.

Confira o samba da parceria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Orlando Ambrósio, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim

O segundo samba que selecionei é o da parceria de Arlindinho, Pedro Terra, Tomaz Miranda, Herval Neto, Paulo César Feital e Igor Leal, vencedores do samba enredo da Mangueira de 2026. Sua estrutura musical diferenciada é, com certeza, seu grande trunfo, a começar pela estrutura inventiva e rica construção de versos do seu refrão principal. Os versos que abrem o samba são interrompidos sutilmente por um sub-refrão, logo em seguida o refrão principal retoma e se conclui. 

Ah, epahey, ela é oyá, a bela oyá

Ah epahey, a minha mãe é Iansã

É quarta-feira tem macumba na Mangueira

Batuquei a noite inteira amanheci campeã

Dobra o adaró  e o alujá, no toque de guerra

A Mangueira vai passar.

Ah epahey, ela é Oyá, a bela Oyá ah,

Epahey, a minha mãe é Iansã

É quarta-feira tem macumba na Mangueira

Batuque a noite inteira amanheci campeã.  

A obra tem uma rica melodia, que confere beleza à composição e, ao mesmo tempo, sustenta harmonicamente o samba. Porém, a letra contradiz o perfil da Iansã traçado na sinopse. A composição afirma que a guerreira Oyá luta contra seus inimigos com a espada de Ogum, um dos seus amores. Já a sinopse deixa claro que a Iansã não foi submissa a nenhuma das suas paixões. Nem a Ogum e nem a Xangô. Ela se liberta e traça seu destino usando suas próprias armas.   

Confira o samba  da parceria de Arlindinho, Pedro Terra, Tomaz Miranda,Herval Neto, Paulo César Feital e Igor Leal


Rainha dos insurgentes

Seu raio tem energia

A mãe de toda essa gente

A natureza bravia

Sagrada, imponente, potente no axé

A borboleta-mulher


            Os belos versos acima completam a primeira estrofe do samba da parceria de Chacal do Sax, Verônica dos Tambores, Laura Romero, Rafael Capiberibe, Giovani e Ronie Machado. O samba que está sendo defendido na disputa pelos talentosos cantores Pixulé e Lissandra Oliveira. Não há dúvida que esta composição é o melhor samba da safra mangueirense, a começar pela melodia que é extremante rica e envolvente. Além disso, tem nos versos acima a melhor definição de quem é Oyá poeticamente. O único ponto frágil é justamente a letra, que a exemplo de outros sambas da disputa, também se equivoca ao definir a homenageada. Nas passagens do samba os autores colocam Iansã subordinada e protegida por Xangô. Na estrofe que antecede o grande refrão principal, diz que a Oya vai incendiar, ou seja, mas uma vez, relacionando o poder e o encantamento de Iansã ao fogo de Xangô. Apesar dos deslizes na letra, o samba da parceria de Chacal do Sax é o melhor dos dez sambas que estão em disputa mangueirense. Sua rica melodia e valentia são armas que fazem dele um perfeito representante da bravura e força de Iansã na avenida.   

 


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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval,
um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 

Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.

Niterói ganha mais uma Escola. Vem aí a Acadêmicos de Santa Bárbara.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

O carnaval de Niterói segue crescendo, e cada vez mais se consolidando como o segundo melhor do Estado do Rio. Recentemente tivemos o anúncio de retorno de duas agremiações conhecidas na cidade, a Acadêmicos do Novo México, campeã da revitalização em 2006, e da União da Engenhoca, do tradicional bairro, reduto de sambistas de Niterói, além da criação da Sociedade Cultural Academia Cubango do Futuro.

Hoje é a vez de anunciarmos o surgimento da Acadêmicos de Santa Bárbara, do bairro próximo à divisa com a vizinha São Gonçalo. A nova agremiação é liderada por dois conhecidos sambistas de Niterói, Cosme Conceição, que já presidiu a extinta Grilo da Fonte, e Paulinho Sants, ex-diretor de carnaval da Combinado do Amor e da União da Engenhoca.

Acadêmicos de Santa Bárbara nasce de um sentimento e esforço de grandes sambistas do bairro de Santa Bárbara. Estamos há 3 anos sem uma representante no carnaval de Niterói e estamos chegando, com todo o respeito às coirmãs, para ocupar o nosso lugar no seleto grupo de agremiações que desfilam na cidade. Sabemos que o caminho é difícil e desafiador, mas com garra, força de vontade da nossa diretoria, comunidade e a bênção de nossa padroeira que dá o nome à nossa escola, chegaremos lá”, declarou Cosme, o presidente da nova escola, à Cadência da Bateria.

Para Paulinho Sants, que ocupará o cargo de vice-presidente, a promessa é de honrar o bairro nos desfiles de Niterói. “Estamos chegando com muita alegria e vontade de vencer para levar a Acadêmicos de Santa Bárbara ao patamar das grandes escolas de Niterói, com isso estamos nos cercando de grandes profissionais que logo, logo iremos anunciar, e em breve faremos um grande evento onde formalizaremos a nossa chegada ao mundo do samba. Como diria o grande intérprete Preto Jóia: 'Dá licença!' Acadêmicos de Santa Bárbara chegou”, disse o vice à reportagem da Cadência.

Símbolos – O pavilhão vermelho e branco da Acadêmicos traz elementos ligados às religiões afro e católica. O primeiro é o Eruexim de Iansã, o cetro sagrado da Orixá que representa seu poder sobre os ventos e o mundo espiritual. O segundo é a espada de Santa Bárbara, a Santa Guerreira. Os elementos as unem, fazendo assim o sincretismo das duas divindades.

Objetivo – A pretensão da diretoria é filiar a Acadêmicos de Santa Bárbara à União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói para então concorrer a uma vaga no Grupo de Avaliação. “Pretendemos fazer avaliação em 2028, teremos quase 2 anos para nos estruturarmos e conseguirmos chegar forte, já que os desfiles em Niterói estão em um nível muito competitivo e se não for desse jeito não adianta nem começar”, adiantou Paulinho à Cadência.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Henrique Viana segue na Direção de Carnaval da Garra de Ouro

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A Garra de Ouro segue em busca de sua vaga na elite do carnaval niteroiense. Para isso, aposta na permanência de um dos responsáveis pelo vice-campeonato da Série Ouro no carnaval passado: o diretor de carnaval Henrique Viana.

Henrique será o responsável pela direção de carnaval da Garra de Ouro por mais um ano (Foto: Luiz Eugenio / Na Cadência da Bateria)

Na direção de carnaval da escola de samba do Largo da Batalha pelo quarto ano consecutivo, Henrique promete um desfile empolgante. "Vamos vir com sangue nos olhos. Queremos o campeonato, respeitando todas as coirmãs. Lutaremos quesito a quesito. Com a nossa diretoria e um time coeso, faremos a diferença na avenida com respeito, dedicação, um canto forte, muito samba no pé e uma grande novidade na avenida", disse o diretor de carnaval à reportagem do Na Cadência da Bateria.

Para o presidente da agremiação, Cidiclei Costa, a permanência de Henrique é imprescindível. "Na Garra de Ouro, o Henrique tem uma missão não só como diretor de carnaval, mas com uma admiração incondicional pela nossa escola. Por isso digo: nada nessa vida chega por acaso. Ele é um profissional fantástico. Estamos felizes demais com sua permanência na escola", declarou o presidente Cidiclei ao Na Cadência da Bateria.

Experiência – No Carnaval de Niterói, Henrique já atuou como diretor de carnaval da Bafo do Tigre por cinco anos. No carnaval carioca, integrou as equipes de harmonia da Acadêmicos do Sossego e da Acadêmicos de Niterói; atualmente, é diretor de harmonia da Unidos do Jacarezinho e diretor de alegorias da Unidos do Viradouro. Sobre o enredo para 2027, Henrique espera que a Garra de Ouro se inspire na força da guerreira Jacimba Gaba para lutar por uma vaga no Grupo Especial. "Como sempre, com muita organização e planejamento, esse enredo sobre Jacimba Gaba, mais do que contar uma história, vai convidar o público a refletir sobre justiça, igualdade, resistência e valorização da identidade negra."

A Garra de Ouro encerra os desfiles da Série Ouro na sexta-feira, dia 29 de janeiro, apresentando o enredo “Jacimba Gaba – A Nobreza que Vira Escrava por Motivo da Inveja”. O enredo propõe uma reflexão sobre como a inveja e a intolerância podem destruir trajetórias de pessoas que se destacam por sua capacidade, liderança e origem.


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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Beatriz Castilho segue como Rainha de Bateria da Souza Soares

sexta-feira, 3 de julho de 2026


Cria de Santa Rosa, a sambista continuará brilhando à frente da "Couro Esticado" por mais uma ano.

A Souza Sores anunciou oficialmente que Beatriz Castilho seguirá como Rainha da Bateria para o carnaval 2027 (foto: Luiz Eugenio/Na Cadência da Bateria)

Trajetória de dedicação e samba no pé
A caminhada de Beatriz até a coroa da Souza Soares foi construída com muito amor ao pavilhão. Seu primeiro contato com o mundo do carnaval aconteceu pelas mãos da mãe, que a levou para conhecer uma quadra. O talento natural da jovem não passou despercebido: logo em sua chegada, o potencial da menina foi reconhecido, abrindo as portas para sua trajetória na passarela do samba.
Agora mais experiente, ela já acumula passagens marcantes no carnaval, tendo atuado como passista na Acadêmicos de Niterói, na Garra de Ouro e no Data Vênia.

Sua história ganhou contornos de realeza quando desfilou à frente dos ritmistas como princesa de bateria em 2025. A identificação com a comunidade e o brilho no desfile pavimentaram o caminho para o grande momento: o convite do atual presidente, Iran Robison, para assumir o posto máximo da bateria no ano seguinte,

Um sonho do presidente e da comunidade
Para o presidente Iran Robison, a coroação de Beatriz é a realização de um antigo desejo de ver a prata da casa brilhando no cargo mais cobiçado da agremiação.

"Sempre houve um sonho muito grande meu em trazer a Bia como rainha de bateria. Eu sempre falava com ela: 'vamos lá, vamos lá', até que falei com ela que já estava na hora de assumir o posto. Ela é raiz, é da comunidade, ela é Souza Soares, então ninguém melhor que ela para vir à frente da bateria. É uma satisfação muito grande para mim como presidente, para a comunidade da Souza Soares e para todos nós que amamos esse pavilhão verde e branco de Santa Rosa", celebrou o presidente.

Para a nova majestade, continuar à frente da "Couro Esticado" representa, resumidamente, "liderança, vocação e samba no pé". Com o apoio da comunidade, da diretoria e dos ritmistas, Beatriz promete honrar as cores da escola e a pulsação da bateria rumo ao próximo desfile.

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