Intérprete e compositor, artista foi sepultado no Maruí sob emoção de familiares, amigos e personalidades da folia; Cigano deixou sua marca em importantes agremiações e na história do Carnaval niteroiense (foto: divulgação GRBC Filhos da Pauta)
Duas camisas oficiais do Bloco Filhos da Pauta, dos Carnavais de 2025 e 2026, foram usadas para cobrir o caixão onde Edu foi velado, na Capela D do Maruí. Nesses anos, o artista marcou suas duas últimas passagens por uma agremiação oficial da folia em Niterói. Cerca de 100 pessoas, a maioria sambistas que participaram da trajetória de "Eduzinho", como era conhecido, estiveram presentes no sepultamento. Entre elas, estavam o ex-presidente da Acadêmicos do Cubango, Olivier Luciano Vieira, o Pelé, além de diretores dos blocos carnavalescos Filhos da Pauta e Xurupita, todos de Niterói (RJ). Os compositores Celso Tropical, Rogerão, Soares do Cavaco, Chiquinho Inspiração e Mário Di Minas, além do intérprete Marcelinho, da escola de samba niteroiense Magnólia Brasil, também compareceram ao Maruí. O colunista da Cadência da Bateria, Professor Mariano, que atuou com Eduzinho na União da Engenhoca no início dos anos 2010, também esteve no velório para o último adeus ao amigo.
Emocionado, Johny Amorim, um dos filhos de 'Eduzinho' agradeceu a todos e fez questão de enaltecer a memória de Edu Cigano, com quem, segundo ele, aprendeu a compor e a cantar sambas-enredo, uma das grandes paixões de Cigano, um niteroiense que descobriu no mundo das batucadas uma forma de viver.
Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Bloco Filhos da Pauta lamentou a morte de seu intérprete, destacou a importância de Edu Cigano para o Carnaval de Niterói e também agradeceu o apoio recebido de entidades e representantes do mundo do samba, entre eles a União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (Uesbcn), da qual é filiada.
"Tudo o que conquistei no mundo do samba e do Carnaval, devo a ele, que me educou, me preparou para a vida e de quem também herdei o talento para o canto", afirmou, emocionado.
O presidente do Filhos da Pauta, o jornalista e músico Sérgio Soares, afirmou que haverá, junto aos segmentos da agremiação, avaliações para definir quem substituirá Cigano no microfone principal do bloco.
No último Carnaval em Niterói, Eduzinho recebeu, como convidado, o intérprete Nego, um dos mais laureados do Carnaval brasileiro, para dividir a produção do clipe oficial lançado pelo Filhos da Pauta, que homenageou onze jornalistas em 2026 e que agora desenvolve o plano de trabalho para 2027.
No próximo ano, a agremiação vai homenagear os 80 anos da Livraria Ideal, histórica referência da cultura da antiga capital, e também Carlos Mônaco, que, aos 84 anos, ainda trabalha no local, na Rua Visconde de Itaboraí, no Centro de Niterói.
QUEM ERA
Intérprete da linha tradicional, com o famoso "vozeirão", Cigano começou a se destacar no Carnaval no fim dos anos 1980. Eclético, fazia de tudo um pouco: tocava diferentes instrumentos de percussão e também era habilidoso passista. Com o passar dos anos, aquele rapaz "magrinho" passou a ganhar peso na meia-idade e, por isso, também costumava participar de concursos para a escolha de Reis Momos do Carnaval.
Entre as agremiações pelas quais passou estão Acadêmicos do Cubango, Souza Soares e Em Cima da Hora. Na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, integrou por dois anos o carro de som da Acadêmicos de Niterói, antiga Sossego. Nos antigos carnavais de Niterói criou identidade na escola de samba Um Amor para Todos, do Morro da Chácara, Centro da cidade.
Na Sapucaí, Cigano também integrou o carro de som que embalou o último título da Acadêmicos do Cubango, pelo extinto Grupo B, conquistado em 2002, em um dos momentos marcantes de sua trajetória no Carnaval de Niterói.
Entre suas composições, estão trabalhos que marcaram o Carnaval de Niterói. Ao lado de Eduardo Poeta, Soares do Cavaco, Gouveia e dos filhos Jhonatan e Jhon, Edu Cigano participou da composição do hino oficial da Folia do Viradouro, que terminou como vice-campeã do Carnaval de 2020. Também participou de obras que embalaram os títulos da União da Engenhoca, em 2011, e da Unidos do Castro, em 2008. Segundo avaliações da crítica especializada na época, os sambas foram apontados entre as melhores obras daqueles Carnavais.
Além da atuação como intérprete e compositor, Edu Cigano participava de eventos e rodas de samba e desenvolvia projetos ligados à dança de salão e ao samba de gafieira.


















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