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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Niterói se despede de Edu Cigano, referência do carnaval da cidade

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Em clima de muita emoção e com a presença marcante de familiares e personalidades do mundo do samba, foi sepultado no Cemitério do Maruí, no Barreto, em Niterói, na tarde da quinta-feira (20), o cantor e compositor Edu Cigano, um dos mais tradicionais e antigos artistas do Carnaval da região. Cigano morreu de falência múltipla dos órgãos, na última terça-feira, no Centro Previdenciário de Niterói (CPN), no Bairro de Fátima, na antiga capital, em decorrência de complicações respiratórias provocadas pela tuberculose. Diabético, ele estava bastante debilitado quando foi internado, há duas semanas, e não resistiu.

Intérprete e compositor, artista foi sepultado no Maruí sob emoção de familiares, amigos e personalidades da folia; Cigano deixou sua marca em importantes agremiações e na história do Carnaval niteroiense (foto: divulgação GRBC Filhos da Pauta)

Duas camisas oficiais do Bloco Filhos da Pauta, dos Carnavais de 2025 e 2026, foram usadas para cobrir o caixão onde Edu foi velado, na Capela D do Maruí. Nesses anos, o artista marcou suas duas últimas passagens por uma agremiação oficial da folia em Niterói. Cerca de 100 pessoas, a maioria sambistas que participaram da trajetória de "Eduzinho", como era conhecido, estiveram presentes no sepultamento. Entre elas, estavam o ex-presidente da Acadêmicos do Cubango, Olivier Luciano Vieira, o Pelé, além de diretores dos blocos carnavalescos Filhos da Pauta e Xurupita, todos de Niterói (RJ). Os compositores Celso Tropical, Rogerão, Soares do Cavaco, Chiquinho Inspiração e Mário Di Minas, além do intérprete Marcelinho, da escola de samba niteroiense Magnólia Brasil, também compareceram ao Maruí. O colunista da Cadência da Bateria, Professor Mariano, que atuou com Eduzinho na União da Engenhoca no início dos anos 2010, também esteve no velório para o último adeus ao amigo.

Emocionado, Johny Amorim, um dos filhos de 'Eduzinho' agradeceu a todos e fez questão de enaltecer a memória de Edu Cigano, com quem, segundo ele, aprendeu a compor e a cantar sambas-enredo, uma das grandes paixões de Cigano, um niteroiense que descobriu no mundo das batucadas uma forma de viver.

Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Bloco Filhos da Pauta lamentou a morte de seu intérprete, destacou a importância de Edu Cigano para o Carnaval de Niterói e também agradeceu o apoio recebido de entidades e representantes do mundo do samba, entre eles a União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (Uesbcn), da qual é filiada.

"Tudo o que conquistei no mundo do samba e do Carnaval, devo a ele, que me educou, me preparou para a vida e de quem também herdei o talento para o canto", afirmou, emocionado.

O presidente do Filhos da Pauta, o jornalista e músico Sérgio Soares, afirmou que haverá, junto aos segmentos da agremiação, avaliações para definir quem substituirá Cigano no microfone principal do bloco.

No último Carnaval em Niterói, Eduzinho recebeu, como convidado, o intérprete Nego, um dos mais laureados do Carnaval brasileiro, para dividir a produção do clipe oficial lançado pelo Filhos da Pauta, que homenageou onze jornalistas em 2026 e que agora desenvolve o plano de trabalho para 2027.

No próximo ano, a agremiação vai homenagear os 80 anos da Livraria Ideal, histórica referência da cultura da antiga capital, e também Carlos Mônaco, que, aos 84 anos, ainda trabalha no local, na Rua Visconde de Itaboraí, no Centro de Niterói.

QUEM ERA

Intérprete da linha tradicional, com o famoso "vozeirão", Cigano começou a se destacar no Carnaval no fim dos anos 1980. Eclético, fazia de tudo um pouco: tocava diferentes instrumentos de percussão e também era habilidoso passista. Com o passar dos anos, aquele rapaz "magrinho" passou a ganhar peso na meia-idade e, por isso, também costumava participar de concursos para a escolha de Reis Momos do Carnaval.

Entre as agremiações pelas quais passou estão Acadêmicos do Cubango, Souza Soares e Em Cima da Hora. Na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, integrou por dois anos o carro de som da Acadêmicos de Niterói, antiga Sossego. Nos antigos carnavais de Niterói criou identidade na escola de samba Um Amor para Todos, do Morro da Chácara, Centro da cidade.

Na Sapucaí, Cigano também integrou o carro de som que embalou o último título da Acadêmicos do Cubango, pelo extinto Grupo B, conquistado em 2002, em um dos momentos marcantes de sua trajetória no Carnaval de Niterói.

Entre suas composições, estão trabalhos que marcaram o Carnaval de Niterói. Ao lado de Eduardo Poeta, Soares do Cavaco, Gouveia e dos filhos Jhonatan e Jhon, Edu Cigano participou da composição do hino oficial da Folia do Viradouro, que terminou como vice-campeã do Carnaval de 2020. Também participou de obras que embalaram os títulos da União da Engenhoca, em 2011, e da Unidos do Castro, em 2008. Segundo avaliações da crítica especializada na época, os sambas foram apontados entre as melhores obras daqueles Carnavais.

Além da atuação como intérprete e compositor, Edu Cigano participava de eventos e rodas de samba e desenvolvia projetos ligados à dança de salão e ao samba de gafieira.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

No dia dos pais, o Pai do Samba escolhe seu hino para o Carnaval 2027

Segunda-feira, 10 de agosto de 2026

No dia dos pais, o Pai do Samba escolhe seu hino por Professor Mariano

Na manhã do domingo do Dia dos Pais (09/08), o pai do samba, o Velho Estácio de Sá, escolheu seu hino para o carnaval 2027, cujo enredo é: ”Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se fez carnaval”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo. Nele, a primeira escola de samba do Brasil vai contar seus cem anos de glórias e também seu pioneirismo no processo de ensinamento do samba de sambar para os outros morros do Rio de Janeiro, tornando a escola de samba o maior e mais importante fenômeno sociocultural produzido pelos afrodescendentes periféricos cariocas.

A composição vencedora foi da parceria de Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett. Como dizíamos aqui nas redes da Na Cadência da Bateria, o samba da turma do Samir era o que reunia mais predicados para contar a história do centenário do Velho Leão do Estácio e sua influência no mundo do samba.

O samba de Trindade começa com um frase fantástica que, de forma criativa, sintetiza a importância da galera do “Deixa Falar” para o universo do carnaval brasileiro: “Samba hoje teu pai é enredo”. O que esse verso reconhece é que o samba de sambar, inventado pelos bambas do morro de São Carlos no final da década de 1920 do século XX, é o fundamento inaugural das escolas de samba do Brasil. Todos que vieram depois procuraram seguir o ensinamento básico para a criação de uma legítima escola de samba: o samba de sambar da malandragem do Estácio.

Entre as qualidades marcantes do hino escolhido para 2027 estão o lirismo, a poética e a solenidade introjetada na composição, que fazem um amante torcedor do Estácio e um sambista-raiz, como eu, ir às lágrimas e ficar arrepiado com o belíssimo samba. Os compositores encerram a canção, que tem tudo para receber 10 dos jurados e ser uma dos mais belas do carnaval carioca, com um refrão arrebatador:

“Tem que respeitar
E peça a benção
Tem que respeitar e dê licença
O Velho Estácio que embalou essa Avenida
É o centenário da paixão da minha vida”

Esse inspiradíssimo refrão expressa, com solenidade e respeito, a emoção certa para o poeta escrever o centenário da herdeira do “Deixa Falar”. Traduz que a história dessa instituição, denominada escola de samba pelos poetas do mangue, só tem razão de ser a partir da existência e afirmação do samba de sambar, criado por eles mesmos em meados do século XX.

Ao vencer o concurso de samba-enredo que vai falar dos cem anos do pioneirismo dos bambas do Estácio de Sá na criação da escola de samba, maior identidade cultural do povo brasileiro, a parceria de Samir Trindade escreve seu nome na história do carnaval brasileiro.

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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval,
um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 

Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.

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