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sábado, 23 de julho de 2016

Sambistas serão homenageados na Câmara de Niterói

O Plenário Brígido Tinoco da Câmara dos Vereadores de Niterói será palco de uma homenagem a sambistas e personalidades do carnaval niteroiense. Oitenta e sete personalidades receberão o Diploma que leva o nome "Vereador Carlos Magaldi", um dos grandes incentivadores do carnaval da cidade, falecido ano passado.

A iniciativa é do vereador Bruno Lessa em parceria com Hugo Camburão, tradicional sambista niteroiense e Diretor de Divulgação da Associação da Velha das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

O evento será realizado na próxima sexta-feira, 29 de julho, às 18h. A Câmara de Niterói fica na Avenida Amaral Peixoto, 625 - Centro.

Veja que são os contemplados:

1)    .
Ademar de Azevedo Fiúza – Harmonia do Cubango
2)     
Ala De Passista Porto da Pedra
3)     
Ala Raízes do Cubango
4)     
Alexandre Silva – Carnavalesco Grupo dos 15
5)     
Andreia dos Santos Ramos – Comandante do Colégio da Policia Militar do Rio de Janeiro
6)     
Angélica Lemos – Harmonia do Carnaval de Niterói
7)     
Beatriz Chacon – Jornalista da Revista Carnaval de Niterói - MESA
8)     
Bobby Brown – Vice Presidente Da Acadêmicos do Cubango
9)     
Bruno Faria –  Carnavalesco da Escola de Samba Universo
10)  
Caio Soares Alves – Compositor da Escola de Samba Pingo D’ Àgua
11)  
Camila Macedo – Musa da Unidos do Viradouro
12)  
Cantor e Compositor Odenir Laurindo – Popular Manga do Tabuleiro
13)  
Carlos Japona – Japona - Compositor da Acadêmicos do Salgueiro e Escola de Samba Pingo D’Água
14)  
Maria Silva – Madrinha de Bateria
15)  
Clara Cryst Paixão – Rainha do Carnaval da Cidade do Rio de Janeiro – 2015 e 2016
16)  
Claudio José dos Santos – Clau San – Humororista
17)  
Compositor  Edson Silva – Popular  O Gaio “Filho do Veterano Pururuca” - Escola de Samba Combinado do Amor e Acadêmicos do Cubango
18)  
Compositor Claúdio Fabrício – Presidente da Extinta Escola de Samba Branco no Samba
19)  
Compositor e Poeta Adilson Câmara
20)  
Compositor Gerson Devaneio – Compositor Acadêmicos do Cubango
21)  
Compositor José Bento Alvez – Popular “Zequinha do Salgueiro”
22)  
Compositora Elizabeth Mayer  - Se Não Guenta, Por que Veio?
23)  
Dona Preta – Pres. Da Ala das Baiana – Acadêmicos do Cubango
24)  
Dr. Francisco da Cedae
25)  
Dr. Sergio Chacon – Jornalista da Revista Carnaval de Niterói
26)  
Eduardo Bicudo – Mestre Sala do Cacique da São José
27)  
Eleir Ferraz – Fotografo de Carnaval
28)  
Eliane Rodrigues Rangel – Professora de Dança
29)  
Felipe Filosofo – Compositor Campeão do Samba Enredo da Acadêmicos do Sossego
30)  
Floriano Carvalho – Compositor e Carnavalesco
31)  
Francisco Carlos Marins – Diretor do Sindicato da CEDAE e ASAPAE de Niterói
32)  
Geraldo Moreira Pacheco – Mestre Sala “Mister Bazar”
33)  
Gilberto Barros – Compositor Unidos do Viradouro
34)  
Giselle Nunes – Escola de Samba Viradouro
35)  
Guilherme Kauã – Interprete da Unidos do Viradouro
36)  
Hugo Araujo da Silva – Hugo Camburão – Presidente Fundador Escola de Samba  da Pingo D’ Água | Diretor de Divulgação da Associação da Velha das Escolas de Samba do Rio de Janeiro | Campeão dos Sambas Enredos: Acadêmicos do Cubango, Bugres do Cubango, Santo Inácio, Acadêmicos da Carioca, Sai Tarde, Volta Cedo e Diversas Escolas de Samba do Rio de Janeiro e Cidades Mineiras. Conhecido como Hugo Camburão, o Rei do Partido Alto.
37)  
Jair Carvalho Junior – Presidente da ASAPAE – Associação dos Aposentados da CEDAE
38)  
Jhosy Anne Codeço – Passista da Unidos do Viradouro
39)  
Joel Lopes – Presidente da Velha Guarda da Unidos da Viradouro
40)  
Jorge Manoel Moreira Dias – Popular Maisena – Diretor de Divulgação da Escola de SAMBA Acadêmicos do Sossego
41)  
Jorge Oliveira – Rádio Tupy
42)  
Jorge Rosa Regata – Mestre Sala Velha Guarda Unidos da Viradouro
43)  
Jornalista Mario Dias – MESA
44)  
José Ari – Presidente da AFTAE MESA
45)  
José Carlos Esticadinho – Diretor Social da Associação das Velhas Guardas do Rio de Janeiro e Unidos do Viradouro
46)  
Jurema Cavalcante Ribeiro Sardinha – Vice Presidente da Ala das Baianas – Acadêmicos do Cubango
47)  
Kássia Barcelos dos Santos – Rainha de Bateria
48)  
Kátia Ferreira –  Presidente do Grêmio Recreativo Escola de Samba –  “Se Não Guênta Porque Veio?”
49)  
Luis Carlos França – Amigo do Samba
50)  
Luiz Carlos Sardinha - Compositor Campeão  de Samba Enredo da Acadêmicos do Cubango
51)  
Luiz Fernando Oliveira Cruz – Diretor de Bateria da Estácio de Sá
52)  
Marcelo Pacifico – Locutor da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel
53)  
Maria de Souza – Porta Bandeira da Velha Guarda Acadêmicos do Sossego
54)  
Maria Elizabeth Beiruth – Destaque da Acadêmicos do Cubango
55)  
Maryane Hypólito – Rainha de Bateria do Carnaval de Niterói, Musa da Acadêmicos do Cubango e Passista da Acadêmicos do Salgueiro
56)  
Mery - Compositora do Cubango
57)  
Mestre Valci – Bateria Pingo D’ Água
58)  
Milton Bastos – Conselheiro da Acadêmicos do Cubango
59)  
Ney Ferreira – Baluarte da Acadêmicos do Cubango
60)  
Oscar de Lima Filho – Mestre de bateria – Unidos de Padre Miguel
61)  
Paula Regina Rocha – Porta Bandeira da Velha Guarda Escola de Samba Pingo D’ Água
62)  
Paulo Eugênio – Paulo do Pandeiro – Acadêmicos do Cubango
63)  
Professor Antonio – Mestre Sala Acadêmicos do Cubango e Porto da Pedra
64)  
Professora Ana Maria Soares Salles
65)  
Radialista Jesuíno Dias
66)  
Reizinho Reis – Diretor do Grêmio Recreativo Acadêmicos do Sossego
67)  
Rogerinho Pega Leve – Compositor
68)  
Rogério – Popular Rogerão – Diretor de Carnaval da Magnólia Brasil
69)  
Rogério Belizário – Acadêmicos do Cubango
70)  
Roseli Araujo – Produtora Cultural – APRESENTADORA
71)  
Rosemery Pacheco – Rainha de Bateria da União da Ciclovia de Piratininga – Popular:  “Rosemery Pantera Negra”
72)  
Sebastião Antonio de Oliveira – Velha Guarda do Viradouro
73)  
Sebastião Pires de Moura – Presidente da Extinta Escola de Vai Quem Quer – São José
74)  
Selma Ventura – Presidente da Velha Guarda – Unidos de Padre Miguel
75)  
Sergio Alberto Chagas – Compositor do Morro do Santo Inácio
76)  
Sergio Bastos dos Santos – Professor de Dança
77)  
Sergio Luiz da Silva – Joca – Compositor Campeão do Samba do Enredo 2016 da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego
78)  
Sidnei Moura – Popular “Sid” – Baluarte da Extinta Escola de Samba Vai Quem Quer – São José
79)  
Silvana Tavares Accurcio – Empresária Cultural
80)  
Silvio Lessa – Amigo Imperiano e Enredo 2012 da Escola de Samba Pingo D’ Água e Padrinho das 10 Mais Elegantes do Rio de Janeiro 2016.
81)  
Sonia – Baluarte do Samba – Acadêmicos do Cubango – Falar com Patrícia
82)  
Valdir dos Santos – Pres. Do Cacique da São José
83)  
Velha Guarda da Acadêmicos do Cubango
84)  
Velha Guarda da Unidos do Viradouro
85)  
Velha Guarda Porto da Pedra
86)  
Virginia Ferreira – Brinco de Ouro e Madrinha de Bateria Escola de Samba Pingo D’ Água e Acadêmicos do Tatuapé
87)  
Ygor Silva – Diretor de Carnaval da Escola de Samba Alegria da Zona Norte

As Sociedades carnavalescas: Politização e Crítica

Desta vez nosso colunista Professor Mariano volta ao tempo das Grandes Sociedades, traça o legado deixado por essas agremiações, mas lamenta que as Escolas de Samba tenham descarado a herança e vivam um momento de alienação e despolitização. Confira a opinião do professor:

As Sociedades carnavalescas: Politização e Crítica
por Professor Mariano
As grandes sociedades carnavalescas começaram a desaparecer no início da década de 60, quando as escolas de samba começam a se tornar a agremiação carnavalesca mais popular do Brasil e o samba se consolida como identidade do povo brasileiro. 

foto: Tenentes do Diabo |disponível em:
http://www.riodejaneiroaqui.com/carnaval/carnaval-grandes-sociedades.html

Estas grandes agremiações carnavalescas foram as primeiras a sistematizarem e socializarem o carnaval carioca no final do século 19. Tudo começou com o Congresso das Sumidades por volta de 1885, no seu desfile inaugural esta sociedade desfilou com mais 80 sócios, entre eles, José de Alencar, grande escritor romântico brasileiro. 

Mas o grande legado deixado pelas grandes sociedades a meu ver foi à politização e a crítica que elas faziam ao contexto social em que estavam inseridas. As grandes sociedades se engajaram na luta pelo fim da escravidão, contestaram a monarquia e foram para rua defender os direitos das mulheres.

Em 1884, a Euterpe Comercial, por decisão de sua comissão de carnaval, decidira suspender a construção dos préstitos, ou seja, dos carros alegóricos e empregar o dinheiro a ela destinado na aquisição da liberdade de alguns escravos.

Outro grupo que também se destacou pelo combate contra a escravidão foi o famoso Clube dos Fenianos, nome em homenagem ao grupo irlandês que, naquela época, lutava contra o poder inglês, eles tinham como símbolo, o barrete frígio da Revolução Francesa e defendia os ideais republicanos. Os Fenianos faziam várias passeatas pelas ruas do Rio de Janeiro, com muito humor e crítica. Nestas manifestações culturais, eles demostravam suas insatisfações com o funcionamento da sociedade da época e se engajavam nos movimentos políticos.

OS Tenentes do Diabo, grande rival dos Fenianos também entrou na luta política, colocando parte da renda adquirida para materializar seu carnaval, em favor da compra da liberdade de alguns escravos.

Mas as grandes sociedades também lutaram contra o machismo da época e lideraram um belíssimo movimento de defesa da mulher trabalhadora. Nos seus carros alegóricos o lugar mais alto, mais visível era ocupado sempre por uma bela mulher com fantasia deslumbrante. Não importava se com muita ou pouca roupa. E não era apenas uma. Havia sociedades que levavam várias mulheres nos seus préstitos.

Para ajudar a diminuir o machismo na sociedade que condenava as mulheres que trabalhavam, os Fenianos ousaram mais uma vez. Criaram, em 1913, o prêmio “ Virtude e Amor ao Trabalho”, e a escolha era feita através de eleições diretas, o que despertou o interesse e aumentou o número de concorrentes. Em cerimônia pública, a qual esteve presente o presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, o prêmio foi entregue.

O efeito foi forte na sociedade. A imprensa deu destaque ao acontecimento e algumas matérias foram feitas saudando a iniciativa dos Fenianos e criticando as famílias que não permitiam as mulheres trabalharem. A iniciativa dos Fenianos encorajou as mulheres há se libertarem do jugo machista e firmar-se como cidadã.

Estes exemplos das sociedades no passado são pertinentes, para analisarmos o atual momento de alienação e despolitização das nossas agremiações carnavalescas. É inadmissível que o Estado do Rio de Janeiro que já foi capital da república e eco das manifestações políticas, tenha uma festa carnavalesca tão comportada e alienada. Se analisarmos os enredos das escolas de samba para o carnaval de 2017, é alarmante a total omissão em debater temas atuais.

As escolas de samba são fruto de uma realidade social que foi banida pelas obras elitistas da atual prefeitura e, você não ver nem bloco criticando ou satirizando tal situação. Isto é profundamente lamentável se tratando o carnaval uma festa profana e contestadora na sua essência. A política nacional é uma porcalhada só, prejudicando principalmente os mais pobres que participam do carnaval popular. Discutir o contraditório é obrigação de qualquer manifestação cultural séria, porque senão os desfiles das escolas de samba e blocos vão a cada ano, se tornar peças monótonas, alienantes e chatas.
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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval, um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 



Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.


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