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domingo, 28 de junho de 2020

Os 60 anos do Zumbi salgueirense e o negacionismo da Fundação Palmares

domingo, 28 de junho de 2020
Nos 60 anos do revolucionário desfile do Acadêmicos do Sagueiro, o colunista da Cadência da Bateria, Professor Mariano, analisa o retrocesso imposto pela atual gestão da Fundação Palmares que tenta retirar dos negros, sua participação como agente fomentador, transformador e constitutivo da história do Brasil. Confira o artigo do Professor:

Sessenta anos do Zumbi dos Palmares Salgueirense
e o negacionismo que toma conta da Fundação Palmares
por Professor Mariano

Neste ano completa-se 60 anos que o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro descia o morro para desfilar na Avenida Rio Branco com o revolucionário enredo “Quilombo dos Palmares”. No dia 28 de fevereiro de 1960, ao assinar o enredo que narrava a saga do povo preto na luta contra a perversa escravidão, Fernando Pamplona e toda a comunidade salgueirense, dava também uma carta de alforria para o negro sambista falar da sua própria história e do seu povo. Pela primeira vez, o negro seria o protagonista de um enredo de uma escola de samba. 

(foto: Revista Manchete - Edição Especial, março de 1960)

O Salgueiro contou de forma poética a épica história de resistência de Zumbi ou Zambi - grande líder do movimento de escravos que se recusou a aceitar a escravidão como condição de existência durante o Brasil colônia.

Ao falar dos quilombos como uma sociedade alternativa criada por escravos, os salgueirenses revolucionavam a narrativa do enredo de uma escola de samba que, até aquele momento, olhava para a história do Brasil valorizando mais os fatos gloriosos e vultos, ligados à realização e conquista dos homens da sociedade abastada, geralmente, brancos.

Fernando Pamplona valoriza, na sua inovadora narrativa, a história dos “de baixos”, e mais do que isso, diz para o componente do Salgueiro, na sua maioria negro descendente de escravo, que ele e seu povo têm uma linda história pela luta da liberdade. E que essa história não pertence somente aos negros, mas a todo o povo brasileiro, principalmente, à própria escola de samba. O que o carnavalesco fez serve de legado para as gerações futuras na luta por uma sociedade mais justa e uma história mais plural e ampla.

Sessenta anos depois do sucesso e consagração do enredo “Quilombo dos Palmares” do Salgueiro, que deu seu primeiro campeonato entre as grandes escolas do Carnaval carioca - junto a Portela, Mangueira, Império Serrano e Unidos da Capela, infelizmente a realidade do povo negro e pobre, de uma maneira geral, no Brasil pouco mudou em relação ao principal tema do enredo: a liberdade. As desigualdades sociais e econômicas no nosso país só se agravaram. O pobre continua preso na miséria da favela como nos tempos da luta contra o cativeiro social da escravidão.

E para agravar esse quadro de desalento para nós, negros e pobres do Brasil, temos na presidência da Fundação Palmares, instituição criada justamente para preservar a memória da luta do povo negro, narrada no antológico enredo do Salgueiro, Sérgio Camargo - um negro racista, nomeado pelo reacionário governo de Jair Bolsonaro. Camargo vem fazendo uma gestão que pode ser definida como um negacionismo tosco, que nega a participação do negro como sujeito da sua própria saga. Na sua incoerente gestão, Camargo vem tentando retirar do passado do negro, sua participação como agente fomentador, transformador e constitutivo da história do Brasil. Relega ao negro o papel de coadjuvante do seu próprio passado, como se via na ultrapassada historiografia positivista do século XIX. Ou seja, um retrocesso. Camargo constrói esse colossal recuo e ofende a memória dos quilombolas e seus líderes.

No exato momento em que celebramos os 60 anos da Revolução Salgueirense, quando a escola de samba passou a falar do seu próprio povo com orgulho e lirismo, nos deparamos com essa situação constrangedora: termos na presidência de uma fundação cultural negra, um negro que nega o protagonismo dos seus irmãos negros do passado na luta para acabar coma a maior chaga social da nossa história: a escravidão.

Eu, como intelectual negro, que na minha participação como escritor de enredos para o Carnaval da cidade de Niterói, sempre me preocupei em invocar e preservar a memória dos nossos ancestrais. Sinto-me muito incomodado com a presença desse cidadão à frente da Fundação Palmares. E, mais do que isso, me consterna também o silêncio que perdura no movimento negro e, especificamente, nas escolas de samba, em relação à presença e postura desse senhor na condução da agenda e pautas para as causas negras. Já passou da hora da comunidade e instituições de defesa do negro e da sua história, saírem da retaguarda e se posicionarem criticamente contra o desserviço de Sérgio Carmago à frente da Fundação Palmares à causa negra.

Zumbi dos Palmares, Luiz Gama, Luíza Mahin, Fernando Pamplona e tantos outros defensores da causa negra e de combate ao racismo estrutural brasileiro, clamam para que nós nos posicionemos criticamente contra a permanência de Sérgio Camargo na nossa Fundação Palmares.
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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval, um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 



Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Folia do Viradouro dá início aos preparativos para o Carnaval 2019


sexta-feira, 14 de setembro de 2018 
Como acontece tradicionalmente há 10 anos a Folia do Viradouro convocou sua comunidade para uma feijoada no dia da Independência e dar início aos preparativos do próximo Carnaval. Neste ano o evento contou com a participação de personalidades do samba e claro presença maciça da comunidade do Viradouro, protagonista do sucesso dos desfiles da Folia. “Objetivo da nossa festa foi alcançado. Recebemos muitos amigos e ficamos felizes com a repercussão do evento”, analisou Paulo Roberto da presidência da escola.

Encontro de Rainhas. A anfitriã Carol Portugal entre Dany do Sossego e Maryanne do Cubango (foto Na Cadência da Bateria)

O ponto alto da festa foi a coração da nova rainha da Bateria, Carol Portugal. "O evento foi como eu esperava, grandioso, a altura da Escola. Não consigo imaginar nada diferente para nosso desfile, vamos trabalhar pra levar um espetáculo para a avenida. Espero poder representar minha bateria como ela merece, tenho certeza que faremos um lindo trabalho, estou ansiosa por 2019, então que venha e que seja lindo", prometeu a Rainha, em entrevista à Cadência da Bateria. 

Homenagens - Carol foi a anfitriã de uma série de homenagens que a Folia do Viradouro fez às Rainhas das baterias das escolas de samba da cidade que desfilam na Capital. Maryanne Hipólito do Cubango, Dany Storino do Sossego e Raíssa Machado do Viradouro. "É uma honra muito grande, principalmente por que já as conhecia de passagens em outras escolas, e poder ver esse crescimento e reconhecimento que elas estão tendo me traz muita alegria, poder homenagear-las então é gratificante demais pra mim", declarou Carol Portugal. A rainha da Unidos do Viradouro, Raíssa Machado não pôde comparecer ao evento devido a compromissos com a escola, mas seu esposo, Paulo Bagueira, presidente da Câmara dos Vereadores de Niterói recebeu a homenagem em seu lugar.

Fórmula de sucesso - O planejamento adotado pela Folia do Viradouro e a participação de sua comunidade é a chave do sucesso da escola. Não foi à toa que a vermelho e branco de Santa Rosa faturou quatro títulos e três vice-campeonatos nos últimos oito carnavais. Marcelo Serpa, da presidência, agradeceu o retorno que a comunidade oferece ao trabalho que a diretoria desenvolve. “Fico grato ao comparecimento da comunidade. Sempre nos perguntam quando serão os eventos. A cada ano percebemos que as crianças participam mais, gostam mais, e isso é muito importante pra escola. Nossa escola é pé no chão, tanto nos eventos quanto no desfile. Aproveito para convocar todos para o nosso próximo evento no dia 21 de outubro onde celebraremos mais um aniversário da escola. Esperamos fazer uma festa ainda melhor”, disse Marcelo Serpa à Cadência. 

A Primeira Dama da Folia, Vanessa Serpa, com a Rainha do Cubango Maryanne Hipólito. (foto Na Cadência da Bateria)

A primeira dama da escola, Vanessa Serpa também destacou a participação da comunidade no evento. “A comunidade abraçou a Folia. Foi muito bom participar desse evento. Agradeço a todos que prestigiaram nossa tradicional feijoada e a Cadência da Bateria pela presença”, disse a primeira dama. 

Próximo evento - A convocação para o próximo evento já começou. A celebração de mais aniversário da escola, terá várias atrações. “Dia 21 de outubro teremos a apresentação dos sambas concorrentes, coroação da Rainha da Ala de Passistas, Drika Sampaio, e claro a festa do nosso aniversário”, adiantou Paulo Roberto. Em 2019 a Folia vai levar para a Rua da Conceição o enredo "Padre José de Anchieta, um ser divinal abençoando o Carnaval"que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Paulo César Lima, que volta à escola depois de quatro anos.

Apresentada durante a Feijoada da Folia, Drika Sampaio, ao lado do locutor Maizena, será coroada Rainha da Ala de Passistas no aniversário da Escola no dia 21 de setembro (foto Cadência da Bateria)

Memória - Fundada em 19 de outubro de 2000 a Folia desfilou como bloco no carnaval da Rua Santos Moreira, próximo à sua quadra, até 2005. Com a revitalização dos desfiles da Rua da Conceição em 2006, passa a integrar o Grupo de Blocos de Enredo. Em 2009, já como GRES, faz belo desfile e fatura o vice-campeonato. A partir daí desponta como uma das grandes de Niterói. Pertence ao seleto grupo de tricampeãs do Carnaval da cidade, feito conquistados na cidade somente por Sabiá, Unidos do Viradouro, Cubango, Sossego, Camisolão e mais recentemente Mocidade Independente de Icaraí. Alem do tri de 2015/16/17, a Folia conquistou campeonato de 2012, e os vices de 2009/11/13/14.

Fotos: Na Cadência da Bateria

As crianças da Folia, sempre presentes nos eventos da escola.










Mestre Max no comando da Roda de Samba da Feijoada da Folia.




Passistas da Folia com o Coordenador Rômulo.

















Componentes e comunidade marcam presença na quadra









O presidente Sandro e diretores da co-irmã Banda Batistão mais uma vez prestigiando a Feijoada da Folia do Viradouro.
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