CADÊNCIA DA BATERIA

O maior encontro de bandeiras de Niterói

NA CADÊNCIA DA BATERIA

Cobrindo os desfiles de Niterói desde a Revitalização

NA CONCEIÇÃO OU NO CAMINHO NIEMEYER

Carnaval de Niterói é na Cadência

CARNAVAL DE NITERÓI

A Cadência valoriza nossas agremiações

NA CADÊNCIA DA BATERIA

O CARNAVAL DE NITERÓI PASSA AQUI

NA CADÊNCIA DA BATERIA

O maior acervo do Carnaval de Niterói

CADÊNCIA DA BATERIA

Carnaval de Niterói. Ontem e hoje!

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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Combinado do Amor divulga sinopse e anuncia nova quadra

A mais antiga escola de samba de Niterói, de volta ao Grupo Principal após 23 anos, prepara uma grande festa para inauguração de sua quadra e lançamento do enredo 2017. A nova 'casa' do Combinado do Amor fica na Rua Emanuel nº141, próximo à praça do Caramujo, em Niterói.

O carnavalesco da escola, Índio Garcia fará uma explanação sobre o enredo "Ubuntu. Sou quem sou, porque somos todos nós, e entregará a sinopse aos compositores interessados em participarem do concurso que vai definir o hino da azul e branca para o carnaval 2017. Na ocasião será apresentada a nova diretoria.

O evento que será realizado no dia 7 de agosto, a partir das 14h e promete reunir a nata do samba niteroiense terá show de passistas, Rainha da bateria, musas, baianas, mestre-sala e porta-bandeira, velha-guarda e intérpretes ao som da bateria de Mestre Mica.

A quadra do Combinado do Amor fica na Rua Emanuel nº141, Caramujo, Niterói.


CARNAVAL DE NITERÓI É NA CADÊNCIA

sábado, 18 de junho de 2016

Estácio reabre quadra para temporada de ensaios comerciais

A festa vai começar novamente na quadra do Berço do Samba. A partir da próxima sexta-feira, 24 de junho, os portões da primeira escola de samba do Brasil reabrem para receber os sambistas de toda a cidade para noites onde imperam o bom samba, a alegria e a cerveja gelada.

Passistas do Estácio entre as atrações do primeiro samba do ano 
(foto: Dayse King)


Abrindo a temporada de ensaios comerciais, o GRES Estácio de Sá receberá dois genuínos representantes do samba. Ícones de resistência na luta pelo reconhecimento do samba como parte de nossa cultura, a Vizinha Faladeira e o Cacique de Ramos, abrilhantarão a quadra da vermelho e branco com seus segmentos. A festa começa às 22h com apresentação do elenco show da Estácio de Sá. Baianas, velha-guarda, casais de mestre-sala e porta-bandeira além do gingado dos passistas embalados pela bateria Medalha de Ouro, colocarão o público para sambar ao som de hinos que fazem parte da história da escola.

Promoção especial para quem for à Carnavália Sambacon
Para quem comprou ingresso ou estará na Carnavália Sambacon, haverá vantagens. Apresentando a credencial do evento , o sambista pagará apenas meia entrada e poderá fazer do samba na quadra da Estácio, uma extensão da Feira de Negócios do Carnaval. A entrada custa R$30. Bem localizada, a quadra do GRES Estácio de Sá fica próxima a três estações de metrô (Praça XI, Estácio e Cidade Nova), além de ser corredor de passagem para diversas linhas de ônibus que fazem o trajeto Zona Norte – Centro – Zona Sul. Também há facilidade de estacionamento nos arredores e uso de táxi. O endereço da quadra do GRES Estácio de Sá é rua Salvador de Sá, 206 – Cidade Nova. Mais informações pelo telefone: 2504 2883.

Serviço:
Ensaio Comercial do GRES Estácio de Sá com Vizinha Faladeira e Cacique de Ramos
Local: quadra do GRES Estácio de Sá ( rua Salvador de Sá, 206 – Cidade Nova)
Data: 24 de junho, sexta-feira
Horário: a partir das 22h
Valor: R$30
Classificação: 16 anos
Capacidade da Quadra: 2 mil pessoas

Alegria da Zona Sul tem nova Rainha de bateria

Depois de reforçar seu time em busca do título de Campeã da Serie A, a bateria da Vermelha e Branca do Pavão Pavãozinho e Cantagalo anuncia mais uma novidade. A Show de Ritmo tem nova majestade!

Alexandra Montrezor é a nova Rainha de bateria da Alegria da Zona Sul

A bela modelo , atriz e dançarina Alexandra Montrezor de 28 anos que também é musa dos Passistas da Grande Rio reinará a frente da talentosa Bateria Show de Ritmo no próximo ano. "É sem duvidas o momento de agradecer e compartilhar esta conquista com todos que torcem pelo meu sucesso .Muito obrigada, darei o meu sangue e suor com muito amor. É um posto que venho batalhando com muita garra e por muitos anos e hoje me sinto preparada para aceitar o convite e assumir tamanha responsabilidade perante a escola e a comunidade a qual me dedicarei de corpo alma e coração!Ser Rainha da Alegria representa a realização de um Sonho", afirma a Rainha Alexandra.

A vermelha e branca do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo será a segunda escola a desfilar na sexta de carnaval com o enredo “Vou Festejar com Beth Carvalho a Madrinha do Samba”.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Beija-Flor entrega sinopse neste domingo

A Beija-Flor definiu o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2017. O romance escrito por José de Alencar e publicado em 1865 deu origem a ‘’A Virgem dos lábios de mel – Iracema’’. A sinopse será entregue aos compositores no próximo domingo, dia 19 de junho, a partir das 10h, no barracão da escola na Cidade do Samba. O tema será desenvolvido pela comissão de carnaval coordenada por Laíla.

Jóia - Fran Sérgio, um dos integrantes do grupo, não escondeu a felicidade em poder desenvolver um enredo que tem tudo a ver com a agremiação nilopolitana. "É uma joia que temos nas mãos! Será uma síntese da nossa própria origem, um anagrama da colonização na América. Ao mesmo tempo em que é um romance entre um colonizador e uma índia, conta realmente a história do que o Brasil passou. Está no inconsciente de todo mundo e realmente estamos felizes demais de fazer um enredo com essa pegada – contou.

O tema fará ainda menção ao estado do Ceará, local de onde a lenda é oriunda. Ainda de acordo com Fran, o enredo tem importante cunho social por exaltar as origens étnicas do povo brasileiro e valorizar a figura da mulher na sociedade. "É muito bom ressaltar a parte indígena, porque todos nós somos descendentes deles e muitas vezes não se dá o devido valor a isso. Outro ponto positivo é tocar na feminilidade da Iracema, que foi uma guerreira, lutou bravamente pelo seu amor. O carnaval precisa de histórias como essas."


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A sinopse será entregue neste domingo, dia 19 de junho, a partir das 10h, no barracão da azul e branca na Cidade do Samba,  Rua Rivadávia Corrêa, número 60, na Gamboa.

Riotur divulga preços dos ingressos nos setores turísticos para o Carnaval 2017

FOTO: RAPHAEL DAVID | RIOTUR


A Riotur divulgou, nesta terça-feira (14/04), no Diário Oficial do Município, os preços dos ingressos nos setores turísticos para os desfiles dos grupos Especial e A do Carnaval 2017 no Sambódromo. A portaria também informa que as condições para comercialização dos ingressos dos desfiles do Grupo Especial serão fixadas entre Riotur e a Liesa e, em referência aos desfiles do Grupo A, com a Lierj.

Grupo Especial 
- Domingo e segunda-feira/Setor 9 - arquibancada turística, R$ 500,00; e frisa turística (seis lugares), filas B, C, e D - R$ 6.100,00.

- Sábado das Campeãs, respectivamente, R$ 300,00 e R$ 3.500,00.

- Domingo e segunda-feira/Setor 7 - R$ 300,00; Sábado das Campeãs, R$ 180,00.

Grupo A

- Sexta-feira e sábado/Setor 9 - arquibancada turística, R$ 50,00; e frisa turística, filas B, C e D, R$ 750,00.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mais enxuta, Swingueira de Noel volta a ensaiar dia 22

A bateria da Unidos de Vila Isabel se prepara para retomar a sua incessante rotina de ensaios. Os ritmistas comandados pelo mestre Wallan Amaral voltam aos encontros semanais no dia 22 de junho, a partir das 20h. 

Ritmista da Unidos de Vila Isabel desde sua infância, mestre Wallan assumiu a bateria em ''trabalho solo'' no Carnaval 2014. Anteriormente já havia dividido a batuta da Swingueira com mestre Paulinho em 2012 e 2013.

Visando as notas máximas no cotidiano de sua bateria, Wallan anuncia algumas mudanças na metodologia do trabalho. "Vamos diminuir a bateria. Desfilamos com 280 em 2016, mas vamos passar para 260 no próximo desfile. Teremos uma bateria mais enxuta e coesa, com os melhores ritmistas que temos no bairro, na nossa comunidade e no mundo do samba. Temos cerca de 10% dos ritmistas de fora daqui e que gostam de somar no nosso ritmo. Vamos mantê-los, mas nesse ano não receberemos novos ritmistas. A ideia é manter a base e qualificar ainda mais a bateria para alcançar as notas que sonhamos", afirmou o Mestre.

Peso dos jurados - Na visão de Wallan é indispensável o estudo das justificativas para que a bateria tenha condições de obter todas as notas 10. No último desfile, a Swingueira recebeu três notas 9,9, avaliação repetida na quarta nota em virtude da ausência de um dos julgadores. Duas justificativas falaram da participação do naipe de tamborins, algo que foi explicado por Wallan. "A justificativa veio falando de um naipe. Isso faz com que tenhamos certeza que os demais naipes fizeram bem o seu papel. Vamos manter a parte sonora mais grave da bateria. Em 2016 já fizemos tudo em cima das exigências dos jurados, mas infelizmente perdemos quatro décimos, o que acabou nos pegando de surpresa. O tamborim fez uma função em cima do tema, na parte que falávamos sobre o Maracatu. O tamborim fazia o papel do agogô no Maracatu. Uma coisa meio ‘’fora’’ mesmo. Eles entenderam como um arranjo um pouco fora do tempo, mas a nossa estratégia era atender a algo que remetesse ao enredo. Tudo bem. Acho que isso só vai nos dar força e estaremos ainda mais atentos".

domingo, 12 de junho de 2016

Experimenta da Ilha divulga sinopse

O GRES Experimenta da Ilha da Conceição, agremiação que desfila pelo Grupo de Acesso do carnaval de Niterói, divulgou a sinopse para o desfile de 2017. O tema sobre o teatro terá o título "Do CANTO DO BODE ao CANTO ALDEÃO, sonhos e fantasias no palco da ilusão". Segundo o carnavalesco Eliezer Rodrigues, o enredo levará para a avenida o teatro em forma de samba. "Vamos crer no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio. Busquemos na tragédia, alguma experiência, para que possamos acertar futuramente e possamos ser felizes em união e paz". Confira a sinopse.

══════════ ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ══════════ SINOPSE ( carnaval 2017 ) Ao acender as luzes da ribalta, imponentes em um cenário multicor, abrem-se as cortinas e surgem deuses, heróis, vilões, palhaços, homens, mulheres e crianças, com um único sonho, transformar a ilusão em realidade. Exaltando o teatro em forma de canção, ser ou não ser, eis a questão. Como uma magia tão bela, desfilam na passarela em um bailar de emoção. Um brinde à Zagreu, Brômio, Iaco, Baco ou apenas Dionísio como assim era conhecido (deus do teatro). Do CANTO DO BODE ao CANTO ALDEÃO, sonhos e fantasias no palco da ilusão. Na vida, somos artistas em um teatro de luta, força e coragem para chegar no fim. Arte que se faz sobreviver, expressão triste da tragédia, mas com esperança de um amanhã melhor, deslumbrado em risos em uma divina comédia. Então é carnaval... Explosão de alegria, pierrô e colombina, palhaços e bailarinas em uma utopia de emoção. Bate o tambor, chegou pra cantar, índio guerreiro, na terra do sonho a reinar. No samba Maria mineira, Maria Clara guerreira, sem ter medo das maldades que junto com a vida vem, porque há sempre uma bruxa boa e um fantasma que medo de gente tem. Dança linda a girar, baianas com seus encantos, em um raro esplendor, suaves como uma flor. Livre como o sonho, alegre como a luz, vestida em fantasia, em plena harmonia, a ópera se faz brilhar. Vem batuqueiro vem! O samba chama a nação com a voz do coração . História de rara beleza, com ginga, raça e leveza, canta forte meu país, experimenta ser feliz. ══════════ ღೋƸ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒღೋ══════════ VISÃO DO CARNAVALESCO Neste enredo, levaremos para avenida o teatro em forma de samba. Desde o grande deus Dionísio aos tempos atuais de uma forma simplificada porém , não desmerecedora de beleza e grandeza. Vamos crer no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio. Busquemos na tragédia, alguma experiência, para que possamos acertar futuramente e possamos ser felizes em união e paz. Que os nossos esforços, desafiem as impossibilidades. Nosso sonho é o rascunho do nosso futuro, pois a vida é tragédia quando vista de perto e comédia quando vista de longe. Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. Assim disse Charles Chaplin: “ A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. ” Experimenta é ser feliz ! Experimenta é razão de viver ! Eu sou Experimenta !
Eliezer Rodrigues

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Amigos da Furacão Vermelho e Branco se encontram neste sábado

Os amigos da Furacão Vermelho e Branco, como é conhecida a Bateria da Unidos do Viradouro, voltam a se encontrar neste sábado, 7 de maio, na Ponta da Areia, em Niterói. Mestre Bocão, um dos idealizadores do encontro conta como surgiu a ideia. "Depois de uma conversa com Edson Menezes na Marquês de Sapucaí, pensamos em rever os amigos afastados durante tanto tempo. Contatamos outros amigos da antiga pela internet e marcamos o 1º encontro. Começamos com 6 pessoas e hoje somos em torno 60", conta Mestre Bocão.

No primeiro encontro rolou uma churrascada com 600 latas de cerveja. Para a reunião deste sábado a promessa é de mais churrasco e cerveja. "Alguns baluartes da vermelho e branco já confirmaram presença, entre eles Lambreta, Jorge Baiano e Yara Matias, e ainda dois amigos, mestres de bateria ilustres, também estarão na festa", prometeu Bocão.

Além do bate-papo regado a churrasco e cerveja, certamente os sambistas da Furacão lembrarão os sambas que marcaram a trajetória vitoriosa da Unidos do Viradouro em Niterói e no Rio.

É neste sábado, 7 de maio, a partir das 13 horas no cais da Ponta da Areia, próximo ao ponto final do ônibus 31.

Vai perder essa?


quarta-feira, 4 de maio de 2016

A História Social da Mangueira

A Mangueira completou 88 anos e nosso colunista Professor Mariano não deixou a data passar em branco. 
Em verde e rosa, o Professor enalteceu a contribuição social que a escola deu ao povo carioca. Confira:

A História Social da Mangueira
por Professor Mariano

    No dia 28 de abril a querida escola de samba Estação Primeira de Mangueira completou 88 anos. Não vou aqui nesta coluna, falar dos grandes sambas da Mangueira, dos seus baluartes que contribuíram para a construção da raiz da nossa música popular, da sua inconfundível bateria sem surdo de resposta e de suas conquistas. Pois isso já foi amplamente mostrado por vários artistas e intelectuais. Mas quero nas próximas linhas fazer um resumo da história social desta escola, que se confunde com a própria história do povo negro marginalizado da cidade do Rio de Janeiro.
    “A Mangueira não fica na África, mas no Rio de Janeiro”, foi o que declarou o jornalista Jofre Rodrigues do alto do morro da Mangueira, em dezembro de 1932, encantado com uma das primeiras apresentações que a principal escola de samba do lugar fazia para gente de fora do morro. Este espanto do Jornalista revela o abismo social que existia entre os moradores dos morros cariocas nas primeiras décadas do século XX e o restante da sociedade. Quando Jofre Rodrigues afirmou que a Mangueira não ficava na África, significa que não é na África que devemos buscar as origens e a originalidade do samba, mas nos morros do Rio de Janeiro tão discriminado por um projeto elitista de cidade inspirado no modelo francês.
      A Mangueira escola de samba que esta semana vai ter o verde e rosa cobrindo um dos maiores símbolos da cidade e do Brasil, o Cristo Redentor, nas comemorações dos seu 88 anos. Teve no germe da sua história a luta social pela moradia. A Mangueira se constituiu em terrenos de uma das encostas do morro dos Telégrafos, pertencentes a Alberto Negreiros Saião Lobão, o Visconde de Niterói, e que foram arrendados pelo português Tomás Martins, padrinho de Carlos Cachaça. Carlos Cachaça que ao lado de Cartola seria um dos maiores baluartes da escola, foi antes de tudo um agente social importantíssimo para a conquista do morro da mangueira como local de moradia daqueles que foram esquecidos pelo projeto burguês de República. Isto porque, era Cachaça que dava os recibos dos barracos alugados, devido ao analfabetismo de seu padrinho. Tomás Martins era um pequeno empreendedor que levou emprego e moradia para os moradores do morro da Mangueira. Tal iniciativa foi seguida por outros empreendedores gerando um pequeno lote industrial na região da Mangueira e São Cristóvão. Aumentando assim, a imigração de pessoas para o morro da Mangueira.
      Em 1917, quando faleceu Tomás Martins, o processo de ocupação daquelas terras começou a ser dominado pelas invasões, até então impedidas por seu arrendatário. No início dos anos 40 houve um novo pico de crescimento, incentivado pela tentativa de “fechamento da zona de prostituição do mangue” e pela demolição de moradias populares no centro promovida pela abertura da Avenida Presidente Vargas. Tal fenômeno social fez explodir a luta por moradia na comunidade da Mangueira e transformar a região numa zona de conflito social e violência.
     Carlos Cachaça contou em depoimentos que o contrato de arrendamento entre Tomás Martins e o Visconde de Niterói previa que “no falecimento de uma das partes, ele ou Visconde, tomaria conta novamente”. Este documento foi usado por herdeiros do Visconde de Niterói para tentar expulsar os favelados que já moravam na comunidade. Mas a justiça negou tal pedido. Mas os conservadores e elitistas ainda tentaram exterminar com a sociedade da Mangueira em 1964, quando a Escola de samba já tinha levado o nome do morro para fora do Brasil através dos seus belos sambas e desfiles. Se aproveitando da ditadura militar recém-inaugurada e do endurecimento da política de remoção das favelas promovida por Carlos Lacerda então governador da Guanabara, “um português conhecido no morro por Sr. Pinheiro” ameaçou desalojar os mangueirenses novamente.
      Toda esta luta dos moradores da Mangueira por moradia foi determinante para o surgimento desta fantástica e tradicional escola de samba do carnaval carioca. Cartola ícone da Estação Primeira chegou ao morro da Mangueira trazido pela onda de despejos que assolava as famílias dos operários na cidade do Rio de Janeiro no início do século XX. Pouco depois, em 1919, após a morte de seu avô, Cartola e sua família tiveram que sair da Rua das Laranjeiras, 258 – de uma casa da vila operária da Fábrica de Tecidos Aliança, onde moravam desde 1916 e assim foram se alojar num barraco no morro da Mangueira. Seu pai carpinteiro não tinha condições de sozinho manter a família em Laranjeiras; porém, o avô podia, pois cozinhava para a família de Nilo Peçanha, político importante da antiga República.
      Construído todo esse quadro social de habitação do morro da Mangueira, no final da década de 20 um grande fermento cultural começa atingir o morro e faz com isso, surgir à escola de samba Mangueira. 
      Em 1927 um grupo de jovens rebeldes entediados com os blocos mais “família” que predominavam na folia da favela. Cria o bloco dos Arengueiros que ficou conhecido por seu desempenho mais burlesco e violento na hora de brincar o carnaval. Mas foi desse núcleo carnavalesco, que nasceu o que hoje reverenciamos como Mangueira. Fazia parte desta agremiação uma boa parte de integrantes, que fundariam a Mangueira em 1928.
     Mais que confusão e briga, os Arengueiros sabiam mandar bem no samba e eram os melhores do morro. Assim, acompanhando o movimento que se desenvolvia em outras favelas da cidade, não demorou muito para que abandonassem aquele negócio de briga e partisse para fazer uma escola de samba onde toda uma cultura negra e operária faria parte de sua história.
     Este ano a Mangueira depois de um jejum, conseguiu ser novamente campeã do carnaval carioca com uma grande homenagem a cantora popular Maria Bethânia. Mas o grande legado que esta escola deixou até agora para a cultura nacional foi à construção de uma identidade cultural baseada na força de criação e inventividade dos seus moradores que desde a chegada ao morro dos Telégrafos, lutou não só pela sua sobrevivência, mas para manter viva a cultura dos seus ancestrais negros marginalizados por uma política racista da recém-criada República.

    Para encerrar esta coluna quero fazer uma singela homenagem a um dos mais ilustres mangueirenses, que tive a honra de compartilhar conhecimentos do mundo do samba. Falo de Mestre Comprido grande compositor já falecido e que é um dos autores do samba enredo Yes nós temos Braguinha, que deu o inédito supercampeonato a escola em 1984. Na minha passagem como comentarista da rádio Roquete Pinto no Programa Vai dar Samba, do jornalista Miro Ribeiro, tive o privilégio de aprender o que é ser mangueirense com esse grande baluarte e beber nos términos dos programas da rádio a inconfundível cachaça leite de onça, que ele sabia fazer como ninguém.
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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval, um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 



Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.
  

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Região Oceânica reedita enredo que marcou carnaval de Niterói

O GRES Unidos da Região Oceânica divulgou no domingo, 10 de abril, seu enredo para o carnaval 2017, reedição do desfile campeão na Avenida Amaral Peixoto há 30 anos. "Brasil, em se plantando tudo dá", apresentado em 1986 pela Acadêmicos do Sossego.

fotos: Sidney Sá Fotografia

Para o presidente da Região Oceânica, Ginho, está será uma chance para o folião de Niterói lembrar de um dos grandes momentos dos antigos carnavais da cidade. "Com esse enredo vamos homenagear uma das maiores escolas de samba da nossa cidade. Nossa intenção é mostrar para o povo de Niterói, novamente, um dos inesquecíveis desfiles da Acadêmicos do Sossego, quando conquistou seu primeiro título no carnaval", declarou o presidente Ginho à Cadência da Bateria.


O tema - Desenvolvido à época pelo carnavalesco Équio Reis, o enredo falava do Brasil desde a sua descoberta até a Nova República, não somente das riquezas ou cultura, mas principalmente da forma com que o povo brasileiro enfrentava as dificuldades ao longo da história. Desta vez o enredo deverá ser atualizado. O diretor de carnaval da Região Oceânica, Almir Jhunior, idealizador do projeto de reedição, já iniciou as pesquisas sobre o tema. "Na verdade será uma releitura, mas manterei a mesma linha. Como não temos o original do enredo vamos precisar pesquisar", disse Almir à Cadência. 

Assim como aconteceu no último carnaval, a Região Oceânica terá uma comissão para o desenvolvimento do enredo.


Memória
por Luiz Eugenio - editor do Blog

No desfile de 1986 o carnaval de Niterói viveria um momento de transformação. Era o primeiro ano sem Cubango e Viradouro, que iniciariam suas trajetórias na Capital. Sem as duas grandes forças, a azul e branca do bairro da Engenhoca, a Corações Unidos, seria a substituta natural como a grande escola da cidade já que era considerada a terceira força e a única que conseguira quebrar a hegemonia das duas. Porém essa tarefa acabou ficando nas mãos de uma outra azul e branca, que vinha lá de Pendotiba.

Com um enredo que narrava a força do povo brasileiro em vencer as dificuldades ao longo da história até à Nova República (que àquela época regia o Brasil), a Sossego fatura não só o título de 1986 como os dois subsequentes, fazendo com que a escola do Largo da Batalha se tornasse a grande força do carnaval da cidade. Uma curiosidade deste desfile foi a presença de Alexandre Louzada, hoje carnavalesco renomado na Capital, desfilando como destaque no segundo carro alegórico, representando o Sol.

O samba enredo de autoria dos compositores Bichinho, Edílson Andrade e Ademir Magalhães, interpretado pelo saudoso Odir Sereno, tem como característica principal a presença de quatro refrões, com destaque para o segundo:

“Dos cabelos da Iara
Escorre ouro, escorre prata
Se banhando em cachoeira
Rios, lagos e cascatas”


Uma beleza!

Lembro como se fosse hoje do desfile das campeãs, a Sossego última a desfilar levantando a Amaral Peixoto com seus quase 2.800 componentes entoando aquele samba que pra sempre ficou na minha memória, e no meu coração:

“Como disse Caminha,
Caminha é que tinha razão,
Em se plantando tudo dá
Dá até no coração”


Alô povão pendotibano...


Rufam novamente os tambores
A Sossego explode em flores
Para perfumar o ar

Vamos plantar a beleza
Para colher luxo e riqueza   BIS
Em se plantando tudo dá

Brasil! Oh meu Brasil...
O índio simboliza sua raça
Berço da natureza
De encanto tão sutil
Em mistura de cores
Hospitaleiro nos inspira mais amores

Dos cabelos da Iara
Escorre ouro, escorre prata   BIS
Se banhando em cachoeira
Rios, lagos e cascata

E o Sol...
O Sol com seus raios dourados
Vem ao solo fértil iluminar
Para completar essa beleza
A lua vem a noite clarear ôôô

Ôôô meu pai Xangô
Eu peço proteção para esta nação    BIS
Vem com justiça amenizar a inflação

Como disse Caminha
Caminha é que tinha razão  BIS
Se plantando tudo dá
Dá até no coração





domingo, 10 de abril de 2016

Tupy de Brás de Pina terá Wilson das Neves como enredo

O caminho é longo, mas o sonho é grande. Alimentando-se deste combustível e de muito trabalho, o Tupy de Brás de Pina reuniu forças e voltou a desfilar após 17 anos no Carnaval deste ano. Com o objetivo de subir mais um degrau rumo à Sapucaí, a escola da zona norte do Rio, alcançou o Grupo D e mostra determinação iniciando cedo os preparativos para o Carnaval 2017. Com equipe já montada e apostando no fôlego dos jovens talentos como o do primeiro casal Douglas Motta e Giovanna Casagrande, a azul e branco terá Wilson das Neves como enredo para o próximo ano.

Trajetória do músico será o trunfo da escola para subir mais um degrau no sonho de chegar à Sapucaí

Músico, compositor, ator e amante do samba, Wilson está completando 80 anos, sendo 66 deles dedicados à arte. Parceiro de Elza Soares, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro e tantos outros nomes importantes da música, o imperiano continua em plena atividade atuando, compondo e tocando.
Para contar toda a história do artista, uma comissão de Carnaval formada por Marcos Casagrande, Nina Bastos, Kelly Nascimento, Meliza Palma, Wal Magalhães, Márcio Portela,Michelle Caiazzo e Adilson Chacon, já está trabalhando no texto da sinopse que, em breve, será lançada. O logo e o título, no entanto, já estão definidos. Em 2017, o índio guerreiro de Brás de Pina vai de “O Dom de Wilson das Neves” para a disputa acirrada rumo ao Grupo C da Intendente de Magalhães.

domingo, 3 de abril de 2016

Agora é oficial! Estácio vai levar Gonzaguinha para a Sapucaí

Um dos grandes nomes da MPB terá sua trajetória contada na Marquês de Sapucaí em 2017, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior - o Gonzaguinha - será o enredo da primeira escola de samba do Brasil em 2017, ano em que estaria completando 72 anos. 

Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha), entre os carnavalescos Chico Spinosa e Tarcísio Zanon

Com a presença de todos os segmentos do GRES Estácio de Sá e de Daniel Gonzaga, filho do cantor, a dupla de carnavalescos Tarcísio Zanon e Chico Spinosa, oficializou o que já vinha sendo ventilado por toda a imprensa. "Temos, mais uma vez, o enorme prazer de contar a história de um grande nome do Morro de São Carlos. Nosso trunfo para 2017 vai descer o morro e ganhar a Sapucaí mostrando o valor que nossa comunidade tem", disse Tarcísio Zanon.

Emocionado, Daniel Gonzaga, que foi um dos finalistas na disputa de enredo para o Carnaval 2016, falou da sensação de ter a história do pai, morto precocemente em um acidente de automóvel, no maior palco a céu aberto do planeta. "A maior felicidade é ter a certeza do reencontro do Gonzaguinha com a comunidade do São Carlos", disse o músico, que está em estúdio dedicando-se a novo projeto musical.

Título do enredo será escolhido em enquete nas redes sociais

Inovando mais uma vez e querendo ter a participação ativa da comunidade na produção do Carnaval 2017, o GRES Estácio de Sá vai escolher o título do enredo que a escola levará para a avenida através das redes sociais. A novidade foi anunciada pelos carnavalescos durante o evento que marcou a oficialização do tema. "Gonzaguinha foi uma pessoa que lutou muito pela democracia além de ter sido um artista multifacetado. Queremos exercitar essa democracia pedindo para que a comunidade participe deste processo escolhendo o título do tema. Temos 06 opções que serão colocadas em nossas redes sociais através de uma enquete. A cada semana, vamos eliminando o menos votado aé que saia o vencedor. Teremos todo o mês de abril aberto para a votação do público", explicou o vice-presidente Nelson Souza.

A equete estará no ar a partir desta terça-feira, na página ofical do GRES Estácio de sá no facebook. Para votar, basta acessar a fanpage: https://www.facebook.com/gresestacio

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Paraíso do Tuiuti renova com Luis Carlos Amâncio

A diretoria do Paraíso do Tuiuti confirmou a renovação de contrato do diretor geral de harmonia, Luis Carlos Amâncio, para o carnaval de 2017. Luis Carlos Amâncio já retoma “os trabalhos”, nesta segunda-feira, dia 4 de abril, com uma reunião com todos os diretores de harmonia às 20h na quadra da agremiação. “Será um grande desafio no meu retorno ao grupo especial, temos uma base muito boa e trabalhamos em equipe, queremos permanecer no grupo especial e vamos trabalhar forte em busca das notas que a escola precisa", comentou Amâncio. (foto: Magaiver Fernandes)


Inscrições para novos diretores de harmonia

O diretor geral de harmonia Luiz Carlos Amâncio, convoca todos os diretores de harmonia do Paraíso do Tuiuti, para reunião geral na próxima segunda-feira dia 04 de abril às 20h, na quadra da agremiação, na ocasião, o diretor estará recebendo inscrições de pessoas interessadas em ingressar no departamento de harmonia do Paraíso do Tuiuti, mesmo aquelas pessoas, que não possuem experiência ou conhecimento em harmonia de carnaval, poderão se inscrever.

O Paraíso do Tuiuti será a primeira escola a desfilar no grupo Especial, no domingo dia 26 de fevereiro de 2017 no Sambódromo.

Vila Isabel: 70 anos ensinando a liberdade.

Nosso colunista Professor Mariano, desta vez mergulha nos 70 anos de uma das mais importantes escolas de samba do Rio de Janeiro. A Vila Isabel. A crônica dessa semana vai além do elo entre o bairro e Noel, e se aprofunda na vocação histórica da Escola, a começar pelo seu nome, passando pelos enredos que exaltam a Liberdade. 
Confira!

Vila Isabel: 70 anos ensinando a liberdade. 
por Professor Mariano

No próximo dia 4º de abril a nossa querida Unidos de Vila Isabel completará 70 anos de existência. Geralmente, quando se quer contar ou refletir sobre a história desta tradicional escola de samba do Rio de janeiro, se começa fazendo um elo no triângulo amoroso entre o genial compositor Noel Rosa, o bairro de Vila Isabel e a escola de samba.

Nesta minha coluna que se propõem hoje homenagear a nossa Vila vou fugir um pouco desse senso comum e vou lembrar-me destes 70 anos da história da Vila por outro prisma. O prisma da liberdade. Em toda a sua história, a liberdade esteve presente na trajetória da escola de Noel. A começar pelo seu nome. Princesa Isabel foi uma mulher que acabou oficialmente com a escravidão no Brasil. Ao fazê-lo, referendou a luta que os negros travaram pela liberdade durante todo o tempo, em que a chaga da escravidão perdurou como lei no Brasil.

Portanto na construção da sua identidade a Vila Isabel carrega o germe da liberdade. Não só isso, mas traz no seu nome, a presença feminina, que historicamente lutou e conquistou sua liberdade perante a sociedade machista. Tendo a princesa Isabel oficializado o fim da escravidão, a Vila Isabel se torna uma escola de samba que nasceu ensinando o seu povo a ser livre de qualquer opressão.

Em 1946 ano em que a Vila Isabel foi criada, estava se desmoronando vários sistemas totalitários no mundo. Dentre eles, o Estado novista Varguista. Com toda esta identidade libertária a Vila protagonizou em seus desfiles e sambas enredos momentos de resistência e clamor político que marcou sua história e da cultura brasileira. Vou agora falar um pouco destes momentos.

Em 1972 em pleno andamento do governo facínora do General Médici, a Vila veio cantando o extraordinário samba de Martinho da Vila Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade. Nele o genial compositor, desmistifica aquela máxima que no Brasil os problemas políticos e sociais sempre foram resolvidos com tratados e acordos. Para Martinho e a rapaziada da Vila, o povo pobre e marginalizado buscou sempre através da luta sua liberdade desde Brasil colônia.

Em 1980 quando a ditadura militar já dava sinal de desgaste, a Vila da outra aula de democracia, liberdade e amor ao ser humano. Ao enredar o consagrado poema do escritor comunista Carlos Drummond de Andrade Sonho de um Sonho. A Vila grita pela volta da democracia e dos Direitos Humanos sob a ode popular do samba enredo. Samba este de autoria de Martinho da Vila, Rodolfo de Souza e Tião Graúna. Vale lembrar ainda, que com este belo samba, a Vila fez um grande desfile e ficou em segundo lugar. Outro fator de destaque neste carnaval de 1980 é que quem presidia a Vila Isabel era o grande Paulo Brazão. Compositor de mão cheia e ao lado do Velho China um dos fundadores da Escola do Morro dos Macacos.

Já com o fim da ditadura militar, a Vila vai viver o seu momento áureo como escola de samba. É claro que vocês já sabem que estou me referindo a Kizomba a Festa Raça. Enredo que a Vila trouxe para a avenida, para celebrar os cem anos da abolição da escravatura e que lhe rendeu seu primeiro campeonato num total de três conquistas.

É bom enfatizar que este desfile foi um coroamento de um processo de democratização e liberdade que a própria escola vivia naquele momento. E que processo era este?

Em 1987 Vila Isabel elegeu pela segunda vez, uma mulher para presidente, a primeira foi à pernambucana Pildes Pereira, eleita indiretamente em 1973. Em 1987 foi diferente Lícia Maria Maciel Caniné, conhecida como Russa, foi eleita diretamente para ser a Presidente da escola. A gestão de Russa, uma militante do partido Comunista e mulher de Martinho da Vila, substituía gestão autoritária do Bicheiro ligado à ditadura militar, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, que se desligou da escola para assumir LIESA.
A Kizomba da Vila, um dos marcos da Sapucaí

Num clima, “mais” leve e democrático, Martinho e a comunidade negra do Morro dos Macacos, organizaram um desfile que consagraria a Vila como campeã do carnaval e transformaria a passarela Darcy Ribeiro numa festa da raça. Kizomba foi um desfile com a cara da Vila Isabel e do seu povo. Por pouco mais de uma hora, a Vila mostrou, contou e cantou para toda a sociedade carioca e o mundo, a saga da raça negra, que ali mostrava a sua cultura e história e celebrava sua liberdade ao som do inesquecível samba de autoria do fantástico Luís Carlos da Vila, Rodolfo e Jonas. A Vila com seu desfile impar, pois naquele ano de 1988 não teve desfile das campeãs, devido uma forte chuva que caiu na cidade do Rio na semana posterior ao carnaval. Agradeceu ao grande líder negro Zumbi dos palmares com a saudação que ajudou a imortalizar o grande samba da Vila. Valeu Zumbi! 

1989 foi um ano marcante na História do Brasil. Depois de décadas o povo volta às urnas para votar para Presidente da República. O clima no país era tenso e de muito descontentamento social com o governo decadente do filhote da ditadura o maranhense José Sarney. Pegando carona nesse clima e mantendo a tradição da escola pela luta dos direitos do cidadão. A Vila vem com o enredo Direito é direito. Nele a escola prega o cumprimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. A Vila vem denunciando que a justiça é cega e atua quando quer, para atender os mais necessitados. No ano anterior a Vila festejou a abolição da escravatura. Um ano depois, ela vem com um belo samba dos compositores Jorge King, Serginho Tonelada, Fernando Partideiro e José Antônio dizendo que era hora da verdade, pois embora livre o pobre não estava feliz, pois não tinhas os direitos básicos para a formação de uma cidadania completa. O direito civil, político, e social.

Em 1990 o Brasil ver a posse do primeiro presidente eleito pelo voto direto, após anos de autoritarismo político que vinha desde o golpe de 1964. Assume o cargo o ex Governador de Alagoas Fernando Collor de Melo. Conhecido na época com caçador de marajás. Pois pregoou durante sua campanha, que na sua gestão pública como Governador do Estado de Alagoas, perseguiu e exterminou os funcionários que tinham privilégios econômicos. Com um discurso messiânico Collor caiu nas graças do povão e derrotou Lula nas eleições de 1989. Seu governo foi um desastre e ele foi retirado do poder acusado de corrupção pelo próprio irmão. Neste ano a Vila encerra sua tríade de enredos que celebravam e gritavam por liberdade. Se Esta Terra Fosse minha clama por uma reforma agrária e paz no campo. Com um samba lindíssimo de autoria de Jorge Tropical, Jorginho Pereira, Antônio Grande, Bombril e Aninha. A Vila mostrou que desde o período colonial a terra foi negada ao povo trabalhador. Em seu lugar, foi instituído o latifúndio com todo o aparato da lei do Estado para combater, a luta do camponês pelo seu quinhão de terra. O clima pela posse da terra no Brasil no início da década de 1990 era muito tenso, o fato mais emblemático foi o assassinato do líder sindical acreano Chico Mendes em dezembro de 1988 a mando dos latifundiários.

Para encerrar este artigo, não poderíamos deixar de fora, o enredo da Vila deste ano. Que foi uma justa homenagem ao ex Governador de Pernambuco Miguel Arraes. Que por ter feito um governo que trouxe liberdade para seu povo sofreu ataque dos inimigos do sistema político dominante. Com um sambaço composto pelos consagrados Martinho da Vila, sua filha Martinália, André Diniz, Arlindo Cruz e o saudoso Leonel brutalmente assassinado antes do carnaval. A Vila mais uma vez pisou firme na avenida para defender a liberdade e a democracia popular. Memórias do pai arraia contou a saga do Governo de Miguel Arraes que foi eleito pelo povo em 1962, derrotando o candidato da conservadora UDN, partido que defendia o grande latifúndio em Pernambuco. Durante sua gestão Arraes democratizou a sociedade pernambucana e deu liberdade ao seu povo. Através da Educação e de melhor distribuição de riquezas. Com o golpe de 1964 dado pelas elites empresariais e Militares, Arraes foi derrubado e obrigado a se exilar na Argélia. Assim era interrompida a saga democrática popular do pai Arraia.

Portanto meus caros leitores ao completar 70 anos de história esta magnífica escola de samba já deixa como legado a meu ver, a luta pela a liberdade do seu povo. Através dos seus sambas e enredos, Vila Isabel protestou e lutou por cidadania e democracia popular. Tal luta nunca deixará de existir nesta fantástica comunidade dos Macacos e Pau da Bandeira. Como fico bem evidenciado no refrão do samba da escola de 2016. Vem dançar o frevo e a ciranda, silenciar jamais! Parabéns Vila Isabel!
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PROFESSOR MARIANO

Historiador e pesquisador do carnaval, um dos fundadores do projeto Cadência da Bateria. 



Em suas colunas aborda o carnaval considerando os aspectos políticos e sociais e a importância dos desfiles para a construção da memória da cultura popular.

Alegria da Zona Sul confirma Mauricio Lima como diretor de passistas

O GRES Alegria da Zona Sul divulgou na tarde dessa sexta-feira, 1º de abril a permanência do diretor Maurício Lima à frente da Ala de Passistas da escola. Maurício assumiu a direção da ala em 2016 onde atuou de forma conjunta com Giliard Pinheiro, com quem já havia trabalhado na Porto da Pedra, em 2014. Segundo Mauricio, que se tornou Diretor da Alegria faltando 33 dias para o ensaio técnico, com apenas 10 passistas , esse foi um grande desafio que ele conseguiu superar chegando ao desfile com 70 integrantes na ala.

Mauricio Lima ( ao centro ) e integrantes de sua ala.  

Em 2017, quando atuará sozinho à frente da Ala, Maurício informa que vai criar uma oficina de postura aos passistas e um grupo show para apresentações junto da escola. " Quero subir a comunidade e trazer para ala de passistas meninas e meninos do Cantagalo e Pavão Pavãozinho. Eles são o futuro da escola . Aguardem pois a ala de passista da Alegria da Zona Sul vai ser bastante comentada. Sou grato ao Julião , ao Marquinhos e a toda diretoria por permanecer no cargo e quero mostrar resultado até mesmo pela confiança depositada por eles", afirmou Maurício, que também foi o responsável pela Ala de Passistas da escola niteroiense Alegria da Zona Norte, quarta colocado do Grupo Principal da cidade.

No carnaval 2017 a Alegria da Zona Sul levará o enredo “Vou Festejar com Beth Carvalho ,a Madrinha do Samba“ que será desenvolvido pelo carnavalesco Marco Antonio Falleiros.
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