", será desenvolvido pelos carnavalesco Alex de Oliveira & Edson Pereira. O tema é uma mensagem contra a fome e a miséria do nosso país, sendo um alerta social às autoridades governamentais.
A escola, que quer entrar forte na Marquês de Sapucaí no desfile do próximo ano com os Deuses à frente, contará a história das raízes que alimentam o posso povo e até hoje estão presentes à mesa de nossa gente, sua plantação e germinação, como explica a sinopse escrita pelos autores Alex Oliveira, Edson Pereira, Clark Mangabeira e Victor Marques.
Além do tema, a vermelho e branco divulgou também a logo e a sinopse do enredo para que os compositores possam iniciar a criação de suas obras.
GRES
UNIDOS DE BANGU
CARNAVAL
2019
DO
VENTRE DA TERRA, RAÍZES PARA O MUNDO.
Autores: Alex Oliveira, Edson Pereira, Clark
Mangabeira e Victor Marques
Abrem-se os caminhos para a mais antiga da Zona
Oeste,
nos quais, passo ante passo, a comunidade
enaltece,
com a força, o suor e o sangue vermelho do
Pavilhão,
as histórias de vitórias e devoção!
E nesse caminhar engajado e emocionado,
grita, Bangu, bem alto!
Ferve a Sapucaí hoje e sempre!
Entra forte na avenida com os Deuses à
frente,
pois grandes raízes têm as mais fortes sementes!
O tapete da vitória, assim, se estende, e
com lágrimas de alegria,
louros e glória a toda tua gente!
Tapete estendido para a estória então,
Vêm os deuses coroar dando, à grande raiz, a
criação!
Inti, o Deus Sol que tudo abrange, a ela concedeu
energia!
Pacha Mama, com as mãos dedicadas à semeação,
ofereceu, à raiz, a força da vida:
nutriu-lhe de nutrição,
predestinou-a à satisfação.
Do alto da Cordilheira ao sul do mundo,
a qual tocava os céus,
desciam as raízes que, incessantes, alimentariam
nobres reis e o povaréu!
Era a predestinação:
matar a fome nos quatro cantos de forma simples,
sem coroação,
mas carregado, o tubérculo, de força, sublime realização.
Sorrindo-lhe a bem-aventurança divina,
atravessou o mar com espanhóis para aportar na
Europa.
Esparramou-se nos solos da terra de lá,
ofertando-se a raiz dos Incas ao antigo
continente,
requinte de bondade andina com os esfomeados,
coitados!
Boa fartura no lugar das revezes,
e a beleza das flores do tubérculo na lapela dos
reis que a olhavam de soslaio.
Pois, sem lugar na Bíblia, primeiro causou dúvida
e espanto;
o medo, a fome, contudo, suplantando!
Na dor das barrigas vazias, venceu, o tubérculo,
o cansaço:
reis ordenaram sua plantação,
papas comiam-no, pela saúde, em oração,
e, enfim, a aceitação:
eis a raiz de um Novo em um Velho Mundo,
os pilares de toda refeição,
a base alimentar!
O mundo sonhando sem a dor da fome!
A raiz, potente, fazendo seu nome.
Sem interromper as teias do destino,
surgiram novos caminhos!
À época da vinda da Família Real,
aportou, a raiz, nesta terra indígena postulada
por Cabral.
E, aqui, os deuses do alto da Cordilheira reviram
seus irmãos da Floresta:
Sumé, sábio, recebeu a raiz parecida com a já
conhecida por matar a fome dos seus,
Jetica, mais doce do que a nova trazida,
e a fartura das duas raízes, comungadas:
roças firmes para ambas em juntas moradas.
Velho e Novo mundos (re)unidos em plantação!
Pelas bandas de cá, as raízes estiveram e
chegaram com a imigração.
O nobre feito de matar fome de um mundo inteiro
dada
às mãos do trabalhador brasileiro,
aos seus pés rachados na terra dura sem esmero,
às enxadas firmes para manter a vida da raiz,
para nós e por ela!
A força que vem do tubérculo usado para plantar
ele próprio,
batendo forte, pelo sustento, o rijo ferro na
mãe-terra!
Comam, pois, mundo inteiro!
Brasil, vocação para celeiro!
Finaliza, portanto, Bangu, teu canto
nesta festa animada,
saudando aquilo que, quando nasce, comem todos,
e, dela, não sobra nada;
confraternizando com aquilo que, quando nasce,
espalha rama pelo chão!
Eis, aqui hoje, querido pavilhão, a raiz que,
convenhamos, precisa ser nomeada?
Pelo sim, pelo não,
está aí a homenagem:
um grande salve
à guerreira batata.
GRES UNIDOS DE BANGU
Carnavalesco: Alex Oliveira & Edson Pereira
Assistente: Flávio Magalhães
Pesquisa e Texto: Clark Mangabeira e Victor Marques