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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Colunista da Cadência elege os melhores sambas do decênio

quinta-feira, 2 de abril de 2020
Na onda das enquetes sobre os melhores sambas da década, nosso colunista, André Gustavo, fez uma análise das obras musicais que desfilaram pela Sapucaí nos últimos dez carnavais, sem a pretensão de escolher o melhor, mas apontar os melhores, ano a ano, com critérios distintos das tradicionais votações populares.

Samba da Grande Rio de 2020 está na lista (foto: Dhavid Normando | Riotur)

Opinando com humildade - Os melhores sambas do decênio 2011-2020
por André Gustavo

No início de fevereiro a página virtual do jornal O Globo anunciou a vitória do samba de 2012 da Portela numa eleição popular entre 10 sambas apontados por um júri de especialistas formados pelo mesmo time do Estandarte de Ouro, como os melhores da década. Nada contra! O samba é belíssimo sim, é um dos grandes do período, sem dúvida alguma, foi uma novidade na época em termos estéticos e estruturais, ousando sair do esquema consagrado de duas partes intermediárias por um refrão principal e outro central. Não foi suficiente para levar a escola ao título, mas fez bonito entre os bambas no período pré carnavalesco, além de ter sacudido a Sapucaí com sua levada de bloco afro baiano. Tudo a ver uma vez que o enredo remetia a Bahia, falando de uma viagem da Águia a capital Salvador, conduzida pela guerreira baluarte Clara Nunes. Até aí tudo bem. O problema reside no fato do grupo Globo, sei lá por que cargas d'água cismar que a década fechadinha vai de 2010 a 2019, quando na verdade, sendo matematicamente correto, um decênio redondo vai do ano terminado em 1 até o próximo ano terminado em zero. Ou seja a chamada década de 10 do século XXI vai do ano 2011 à 2020.

Portanto, contrariando o modelo de contagem do tempo do Globo, em favor da maneira ortodoxa de fazê-lo, e aplicando meu gosto pessoal, que diverge em parte dos especialistas do referido órgão de imprensa, decidi escolher os melhores sambas dessa década de 16 escolas que desfilaram ao longo da mesma no Grupo Especial, sem a pretensão de escolher o melhor dentre todos individualmente. Após partilhar com leitores e leitoras da Cadência da Bateria a lista com minhas preferências, procuro explicar, ao menos em parte, os porquês e os critérios a respeito dos sambas escolhidos e das Escolas que figuram na mesma. Segue a relação:

Salgueiro 2016

Mangueira 2019

Portela 2020

Beija Flor 2017

Tuiuti 2018

Grande Rio 2020

Unidos da Tijuca 2019

Mocidade 2017

Vila Isabel 2013

São Clemente 2015

União da Ilha 2017

Imperatriz 2015

Estácio 2015

Império 2015

Viradouro 2016

Império da Tijuca 2014

Obs: Como critério peguei as escolas que desfilaram mais de uma vez no especial na última década. Exceção: Império da Tijuca pela injustiça que sofreu em 2014 ao passar pelo especial. Por isso fiz questão de incluir. Tanto como menção honrosa, quanto pelo samba deste ano ser lindíssimo eco mais bonito da década na minha opinião, mas também para completar 16 escolas, número que considero ideal para o desfile do Especial.

Ressalva: Embora tenha escolhido o samba de 2016 do Salgueiro, a letra original, sem as mudanças feitas pela diretoria eram não só mais adequadas ao enredo como deixava o samba mais bonito e significativo.

Ressalva 2: o samba da Vila de 2013 não apenas é o mais bonito da escola como um dos mais belos dessa década. Mas em 2017, enredo O Som da Cor, o samba não escolhido de autoria de André Diniz e Bocão, era ainda mais bonito do que este.

Ressalva 3: Algumas escolas que me deixaram em dúvida o os respectivos anos que me balançaram:

Imperatriz 2016 ( tenho certa vergonha mas confesso que gosto) e 2017 (Xingu). Mas Axé Nkenda é superior aos outros dois sim.

Império Serrano: 2016 e 2017

Estácio 2016 (essa realmente a dúvidas a permanece. Se pudesse escolheria os dois. Até porque a queda da Estácio em 2016 foi tão 8njusta quanto da do Império da Tijuca em 2014)

São Clemente 2014 (curto muito o samba da Favela dessa ano, a mas acho a homenagem a Pamplona levemente superior)

Império da Tijuca: Tudo bem! Batuk é um samba maravilhoso. Teve o lance dacinjustica que a escola sofreu que eu já citei. Mas tem um samba que balança muito meu coração e não posso deixar de reverenciar: 2015 Oxum - O Império das Águas Doces.

Farei referencia a alguns dos melhores sambas de 2011 e 2012 uma vez que não escolhi sambas desses anos entre os melhores.

2011:

- Salgueiro (O Rio no Cinema)

Sambaço embora tenha pelo menos uns três superiores na década.

- Ilha (Darwin)

Para mim o segundo melhor samba insulano dos últimos dez anos.

-Portela (Mar azul)

Salvo engano, primeira Vitória de Luiz Carlos Máximo na escola.

- Mangueira (Filho Fiel - Nelson Cavaquinho)

Uma bela ode a um baluarte da escola. Raríssimo a Manga fazer homenagem aos de casa.

2012:

- Vila Isabel (samba de Angola)

Para mim o segundo melhor do período.

- Portela (Clara Nunes leva a Portela a Bahia - É feito uma festa um ritual)

Recém escolhido por um júri misto popular/especializado o melhor samba do decênio 2010-2019, por ter iniciado um processo de mudança estética na estrutura dos sambas enredo. Polêmicas a parte, é um samba lindíssimo que, a meu ver, merece sempre ser citado ao se falar dos melhores desse período.

- Mangueira (Cacique de Ramos)

Entre 2011 e 2020 há, pelo menos, três sambas melhores que esse entre os hinos da Verde e Rosa. Nem fora o mais popular na disputa. Mas foi um dos melhores do ano ainda que inferior ao das outras duas escolas citadas.

Bom, essa é apenas a minha opinião como bamba e pesquisador de Sambas Enredo. Fiquem a vontade para opinar, concordando, discordando e, caso considerem apropriado, apresentando sua própria listagem. Divergindo ou não das minhas escolhas, terei a honra de lê-la deslumbrado.
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é professor, pesquisador e apaixonado por samba e carnaval, a despeito de tudo!

segunda-feira, 9 de março de 2020

Pega a visão! Colunista da Cadência destaca a importância social do desfile da Mangueira

sexta-feira, 9 de março de 2020
André Gustavo analisa o desfile da Mangueira no último carnaval,  constata um show emocionante, que foge do modelo convencional e nos convida a uma reflexão: afinal, o que valeu mais, passar uma mensagem de cunho social e político ou ganhar o carnaval?

(foto: Gabriel Nascimento | Riotur)

Desfile da Mangueira de 2020 sai da avenida direto pra Historia
por André Gustavo

Todas as pessoas que me conhecem, e comigo compartilham a paixão pelas escolas de samba, sabem que meu enredo preferido do ano foi o da Manga. Nunca fiz segredo disso. 

No período pré carnavalesco, tive alguns debates e até desentendimentos defendendo a pertinência política e a importância social do tema proposto e desenvolvido pelo carnavalesco da escola e sua equipe. Fui um empolgado torcedor do samba escolhido durante a disputa e sempre o coloquei como destaque num ano em que as agremiações nos presentearam com uma das melhores safras dos últimos anos e aguardava com bastante entusiasmo o momento de ver esse enredo em desfile na avenida. Por conta disso, contava ansiosamente o tempo para a chegada da festa de Momo em 2020. 

O desfile, longe de ser a explosão que os entusiastas como eu esperavam, surpreendentemente foi um tanto frio, causou mais estranhamento do que a catarse imaginada. Tendo ocasião de novamente assistir o desfile, agora mais relaxado, prestando maior atenção nos detalhes e sem aquela ansiedade de que alguma coisa não saísse como o esperado, pude constatar que o objetivo do Leandro foi, ainda que de forma carnavalizada e no contexto do espetáculo que é o desfile, muito mais nos passar uma mensagem. Uma mensagem lindíssima, de cunho social e político profundo e totalmente oportuna ao momento que vivemos. Entendi que a Manga não desfilou, simplesmente. Fez uma performance. A apresentação da escola foi uma passeata de protesto em forma de procissão sagrada, respeitando o tema, o homenageado, que foi apresentado ao público encarnado nas mais diferentes formas de opressão. 

Foi algo lindo! Revolucionário! Um show emocionante que não cabe nesse 'modelinho' de transmissão que se preocupa mais em mostrar o superficial, o glamourizado, as celebridades, do que a ópera popular cheia de simbolismos e significados, que respeita a inteligência e capacidade interpretativa do público. 

No final das contas cheguei a conclusão que esse desfile foi algo genial. Muito acima das expectativas. Teve intenção de causar e causou. Ainda que sofresse penalizações, talvez até justas, do rigor intransigente e cerceador, castrador até, dos quesitos e dos olhos frios e "bem treinados" dos jurados. Mas, ao que tudo indica, para a escola de samba que ousou desafiar os poderes constituídos e questionar as estruturas, a mensagem que precisava ser entregue, foi na íntegra. 

A sociedade ouviu e viu o que era necessário dizer. O grito de alerta, que estava engasgado na garganta foi colocado pra fora: O racismo mata. Como matam a homofobia, a transfobia, a misoginia, o machismo, a discriminação social, religiosa bem como todo tipo de preconceito. E cada vez que alguma pessoa é vítima de um crime com tais fundamentos, Cristo morre novamente junto. Essa foi a visão que a maior escola de samba do planeta e seu genial carnavalesco quiseram nos passar, dando uma porrada mais que bem dada na hipocrisia de uma sociedade cada vez mais cínica, violenta e moralista. 

Se a favela pegou ou não, o tempo dirá. Vencer o carnaval? Diante do cumprimento dessa sagrada missão, conquistar mais um título seria apenas um detalhe.

domingo, 10 de março de 2019

Magueira reescreve e faz História na Avenida.

domingo, 10 de março de 2019
Nosso colunista André Gustavo analisa o desfile campeão da Estação Primeira de Mangueira. Para o professor e historiador, a vitória da verde e rosa foi indiscutível, ratifica a importância do enredo para o contexto histórico, cultural e social e classifica o desfile 'inesquecível e imortal', entre os três principais da era Marquês de Sapucaí. Confira.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Sob o risco da volta da censura! E se isso chega ao carnaval?

terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Em tempos monocromáticos, de proibição de performances artísticas, fechamentos de espaços culturas e intolerância, nosso colunista André Gustavo analisa o futuro das escolas de samba e alerta os sambistas sobre como essa onda conservadora pode afetar o carnaval. Se você veste azul da Portela, rosa da Mangueira, verde do Império, vermelho do Salgueiro, amarelo, preto, ou as cores da sua escola de coração, vem conosco nessa leitura:

fotos desfile da Mangueira 2018 (divulgação Mangueira)

Sob o risco da volta da censura! E se isso chega ao carnaval?
por André Gustavo

Na semana passada tivemos o desprazer de constatar que, ao que tudo indica, a volta da censura está realmente em alta nos novos governos de linha conservadora e intolerantes, que tomaram posse no último dia 1 de Janeiro. Depois do desprazer de vermos presidente censurando a Coaf que fez denúncias contra seu filho e o motorista mais milionário da História desse país, tivemos ministra querendo estipular normas de etiqueta, censurando certas cores para quem nasceu sob determinado sexo (não digo gênero para evitar possível censura ao texto), e no domingo passado fomos brindados com a atitude canhestra do recém empossado governador dos cariocas censurando a cultura, pasmem, ao proibir uma performance artística que fazia referência a tortura no período da ditadura (quando, por sinal, a tortura comia solta, em pertinente parceria com a censura) no encerramento de uma exposição na Casa França Brasil. Todas essas, situações absurdas e inadmissíveis, que deveriam causar repúdio e protesto (como ocorreu no caso da exposição, cuja performance censurada um dia antes e que ocorreria no interior do espaço cultural, foi realizado no dia seguinte do lado de fora, com sob o aplauso de um grande e entusiasmado público e o olhar intimidador da PMERJ) no seio da sociedade e fazer artistas em geral colocarem de molho as suas barbinhas. Inclusive nós, bambas, e nosso patrimônio maior, as Escolas de Samba além de nossa festa máxima, o Carnaval.

Fico imaginando se essa onda de censura pega. E se voltar a moda a tutela cultural? O chancelamento da arte obrigando nossos artistas a submeterem suas obras e criações a análise dos especialistas do nada que, a serviço do poder público e sem o menor senso estético, decidem a seu bel prazer ou orientados por critérios técnicos morais e políticos totalmente contestáveis, o que poderá ou não, ser liberado à apreciação de nossa sociedade. E quais seriam os efeitos de tal prática em nosso carnaval?Fico imaginando o presidente da república querendo impedir um desfile como o da Paraíso do Tuiuti no ano passado porque considera que a escravidão no Brasil não teve o impacto devastador ao continente africano, nem causou ao povo preto os prejuízos que os professores doutrinadores e os livros de história ideológicos apontam. E o desse ano também poderia ser alvo de retaliações, pois tem quem enxergue no enredo crítico do bode Ioiô, eleito vereador em Fortaleza, uma referência a um certo político baixinho, barbudo, nordestino e que converteu-se em esperança popular, porém encontra-se, atualmente, prisioneiro numa cela da PF no Paraná. Penso ainda na possibilidade da tal ministra monocromática, vociferando histriônica, contra as mulheres vestindo azul na Portela e os homens fantasiados de rosa na Mangueira. Quero nem imaginar o que ela falará, ou fará, a respeito da turma LGBT, inerente ao carnaval, deslumbrando e tornado nossos desfiles ainda mais alegres e coloridos. E quanto ao enredo da Mangueira que além de questionar a própria história, invertendo seu conteúdo para trazer à tona a essencial participação daqueles injustamente esquecidos e ocultados pelos acadêmicos: os populares. Os mesmo que são os criadores e artífices dessa maravilhosa festa. Dá pra ter uma ideia de como o governador carequinha (o adorável palhaço que me perdoe, não resisti) e adepto da violência policial e do terrorismo de estado, deve estar contente com a citação à vereadora assassinada Marielle Franco que samba e enredo trarão. Não duvido que veladamente tente convencer a direção e o carnavalesco da Manga a deixar isso pra lá e fazer carnaval ao invés de política.

Temo, só de pensar, na nudez voltando a ser castigada, na possibilidade de perseguição aos enredos críticos e a seus autores, na ameaça de proibição aos temas ou referências políticas nas fantasias e adereços. E até, quem sabe, na mão pesada do catolicismo vetando imagens e alusões aos dogmas da doutrina do Cristianismo Romano. Como já ocorreu no passado com a Beija Flor (quem não se lembra da proibição do Cristo mendigo) e mais recentemente com o carro alegórico da Mangueira que fundia Jesus e Oxalá numa mesma imagem representando a tolerância religiosa, e que foi vetado no desfile das campeão (numa lamentável vitória da intolerância religiosa) ficando melancolicamente isolado num canto qualquer do barracão da verde e rosa. Ou, ainda na pior das hipóteses, a vitória final e definitiva do cristianismo evangélico neopentecostal, acabando de vez com a nossa festa popular e a alegria geral. Certamente isso faria a festa e a alegria de muita gente. Inclusive daquela ministra terrivelmente cristã.
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é professor, pesquisador e apaixonado por samba e carnaval, a despeito de tudo!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Caprichosa saudade

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Por onde anda você, escola de sambistas imortais, que desfilou alegria, simpatia e irreverência na Sapucaí? Escola que saía de Pilares para nos brindar com sambas antológicos? O colunista da Cadência, André Gustavo, lembra a trajetória da grande Caprichosos e torce para que a tradicional agremiação não vire saudade.

sábado, 24 de novembro de 2018

Para colunista da Cadência carnaval carioca já tem o melhor samba de 2019

sábado, 24 de novembro, de 2018
O colunista da Cadência, André Gustavo aponta o melhor samba do carnaval em 2019, e não é de nenhuma escola do Grupo Especial ou da Série A. Para o colunista, o melhor samba do ano será ouvido na Série B, e por uma escola que tem tradição em levar grandes obras para a avenida. Confira no artigo do professor André.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Mangueira teu nome é o de todas as mulheres pretas que na luta se encontram!

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 | 13h05
De volta à Cadência, o pesquisador André Gustavo exalta o sambaço da parceria encabeçada por Deivid Domênico que a Estação Primeira de Mangueira vai levar para a avenida em 2019

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pesquisador analisa os absurdos do carnaval carioca em 2017.

Na semana em que a Liesa homologou a divisão do titulo do Carnaval 2017 entre Portela e Mocidade, a Cadência da Bateria, recebeu do pesquisador de carnaval André Gustavo um artigo sobre o assunto. André vê ainda outros absurdos nas decisões da Liga que mancharam o último carnaval. Confira.
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Na Cadência da Bateria

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Aconteceu na Avenida

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O editor do blog, Luiz Eugenio, entrevistando o intérprete Willian no Carnaval 2008

Magnólia Brasil - Campeã 2020

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Alegria da Zona Norte - Bicampeã 2019

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Alegria da Zona Norte - Campeã 2018

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Folia do Viradouro - Campeã 2015

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